Pais escondem filhos doentes
O responsável pelo pólo básico de saúde indígena da Funasa, César Gutman, disse que o órgão já tinhas planos de agendar uma reunião com promotores da Vara da Infância e Juventude, Funai, Conselho Tutelar e lideranças indígenas para discutir a saúde das crianças nas reservas. Para ele, a questão cultural do índios não pode ser colocada em primeiro lugar quando põe em risco uma vida. É muito difícil trabalhar com os índios porque eles tem uma noção totalmente diferente da nossa sobre doenças. O aspecto cultural é muito forte. E, apesar do que os antropológos dizem, vamos ter que interferir nisso. Aliás, já passou da hora. Se os índios morrem, a cultura também morre, explicou.
Segundo ele, a própria mãe da menina que morreu está com um problema de saúde seriíssimo. Ela se recusou a fazer uma biópsia no Hospital do Câncer, disse. Nesse caso, a Funasa solicita que um auxiliar de enfermagem entregue uma declaração de responsabilidade para que seja assinada pelo índio, insentando o órgão da culpa pelo que vier a acontecer.
Mas o problema com o atendimento às crianças, segundo Gutman, é até mais grave. Segundo ele, os pais escondem os filhos dos agentes de saúde que os visitam nas aldeia. Muitas vezes, quando chegam a procurar o atendimento, o caso está tão grave que não há muito o que fazer. Os hospitais nos questionam sobre como deixamos chegar a esse ponto mas não temos como impedi-los. A gente fica em uma situação complicada, justificou.





