Pais elogiam doação dos filhos
O engenheiro civil Edmilson José Sanches e a ginecologista e obstetra Inês Paulucci Sanches são pais de uma criança adotiva de um ano e dois meses. Gabriele está com a família desde dezembro de 2007. Para o casal, o ato de abrir mão do Poder Familiar e entregar um filho para adoção é uma prova de amor dos pais biológicos. Uma atitude que contrasta com notícias recentes de crimes contra crianças cometidos por pais ou familiares.
Para Sanches, quem tem criança pequena em casa, como a recém-adotada Gabriele, fica mais sensível a este tipo de notícia. ''Fico indignado. Como é possível uma pessoa fazer isso com uma criaturinha tão indefesa? A mãe que entrega o filho para adoção pode até ser criticada, mas toma uma atitude mais bem pensada e sensata em relação à criança'', avalia.
Gabriele é o segundo filho do casal. Guilherme, filho biológico, tem 12 anos. A dificuldade para uma segunda gravidez motivou o casal a adotar uma criança. Outro fator que influenciou a decisão foi a história familiar de Inês. A mãe dela, que teve 11 filhos, sempre quis adotar. ''Ela faleceu sem realizar o sonho. E quando me casei, sem saber que teria futuramente problema para uma gravidez, tinha intenção de adotar. Lógico que ia depender muito se o parceiro com quem me casasse aceitaria'', relata.
O casal sabia da demora do processo mas a espera de quatro anos, segundo Inês, foi ''saudável.'' Até porque a Vara da Infância e da Juventude tem um trabalho com profissionais como assistente social e psicólogo com o intuito de garantir o sucesso da adoção.
Para Inês, o trâmite do processo, invariavelmente considerado longo por quem está na fila, é ''importante e necessário.'' ''Acho que quanto mais a criança ficar com os pais biológicos, desde que eles tenham capacidade e discernimento para criá-la, melhor. O pai e a mãe que têm a coragem de entregar o filho para doação estão tomando uma atitude lúcida e querendo o bem da criança'', avalia.(F.R.F.)





