Para os professores, a greve nos CEIs significa menos dinheiro no bolso por causa da falta de pagamento. Para as famílias das crianças atendidas pelas instituições, o problema resulta em faltas no trabalho e a insegurança de não ter com quem deixar os filhos. Para todos os envolvidos, o atraso é sinônimo de estresse e preocupação com a vida financeira.
Avó e responsável pela guarda dos gêmeos Laura e Wesley, que estudam no CEI Padre Boaventura, a diarista Vilma Maria dos Santos perdeu o dia de serviço, ontem, ao chegar na escola dos netos e encontrar as portas fechadas. ''Estou desempregada e tinha conseguido esse serviço uma vez por semana. Perdi a oportunidade'', lamentou ela, que não conta com qualquer ajuda para manter as crianças.
A professora Vera Lucia Fernandes Alves, que trabalha na CEI, não pode honrar uma das mais importantes obrigações relativas à vida escolar dos filhos. ''Ainda não consegui comprar o material escolar'', contou. Dependendo apenas do marido para pagar as despesas da família, ela esperava o recebimento das férias para quitar o IPTU. ''É desumano a gente trabalhar e não receber o que é devido. Não estamos sendo tratadas com profissionalismo'', reclamou.
Roseli Rodrigues também é professora do centro e conta que, apesar de ter uma família melhor estruturada financeiramente, tem observado as dificuldades das colegas que dependem apenas do salário pago pelo CEI. ''Tem gente passando necessidades'', afirmou.
As duas denunciam que, além da falta de pagamento, lidam diariamente com as condições inadequadas de trabalho. ''Depois das 16 horas, fico sozinha com dez bebês de dois a nove meses. Não dou mais banho e tenho feito as trocas no berço, de olho nas outras crianças. Não estamos sendo tratadas como educadoras'', reforçou Vera. (C.A.)

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