Pais e filhos londrinenses
Para não enlouquecer no Brasil atual, é preciso ter uma sinceridade atordoante, uma paciência bíblica e um alegria sem limites. A alegria é um bem que os ladrões da pátria não conseguem roubar da gente. Com ela vai nascer em nossa alma o que parecia impossível: a esperança.
Uma das fontes da minha alegria chama-se Londrina. E esta semana a cidade me deu uma alegria inesperada: pais e alunos da escola onde meu filho estuda, inspirados por um texto publicado neste espaço, escreveram sobre a alegria de ser londrinense. Sabe o que eles me disseram?
Disseram que ser londrinense é ver o entardecer no Igapó. É ser Tubarão. É tomar vitamina de abacate na Rua Sergipe. É parar no carrinho de lanche e tomar refrigerante no saquinho. É brincar no Aterro e no Zerão.
Ser londrinense é protestar contra a corrupção na rotatória da JK, é ter orgulho de ver a cidade prosperar, é sentir o cheiro de café na Cacique indo para a Expô, é passear na Mata dos Godoy, é recomeçar a vida.
Ser londrinense é receber bem os novos moradores da cidade. É aprofundar raízes em solo fértil. É escolher a cidade para o nascimento de sua filha, mesmo morando em outro Estado.
Ser londrinense é falar com prefeito no Facebook, é apreciar a natureza, é comer esfirra no centro. É passear no Calçadão, no Arthur Thomas e na Praça Nishinomiya. É relembrar a infância no Museu. É tomar uma tigela de açaí, é comer churrasco, é ver os patinhos no lago, é andar de bicicleta, é ir ao shopping, é passar o dia inteiro com os amigos, é ter sangue de índio, é ir à feira, é bater panela quando necessário. Ser londrinense é gostar de coxinha.
Ser londrinense é amar o bem, a beleza e a verdade. É ter o pé vermelho e o coração verde e amarelo. É nunca estar sozinho. E é, posso garantir, a alegria de escrever uma crônica a 80 mãos.
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