A mesma sociedade que reage ao outdoor da Get Propaganda, que mostra um menino de um ano com o pênis ereto, finge que não vê os problemas dos meninos de rua em Curitiba. A reclamação é da juíza da 1ª Vara da Infância e da Adolescência, Carmem Lúcia de Almeida, que diz que ninguém telefona para pedir explicações sobre as crianças que vivem nas ruas ou para se prontificar a ajudar.
‘‘Acho que a questão do outdoor é uma matéria criminal e acho interessante que a sociedade reaja’’, disse a juíza. ‘‘Mas, além disso, tem muita coisa triste ocorrendo - crianças cheirando cola e passando frio - e as pessoas não se interessam.’’
Segundo dados da Secretaria Municipal da Criança, desde janeiro de 1997, 150 crianças vivem nas ruas porque perderam o vínculo familiar, e 990 trabalham nas ruas. A secretaria acredita que hoje o número de crianças trabalhadoras nas ruas pode ter diminuído, já que muitas foram encaminhadas pelos programas Da Rua para a Escola e Formando Cidadão, que determinam que a criança fique meio período na escola e outra parte do dia nos Piás ou em quartel, em troca de uma cesta básica por mês. Um levantamento mais atualizado está sendo feito, mas ainda não tem previsão.
Depoimento - O criador da campanha da Get, o publicitário Gilberto Trindade, e o fotógrafo Vieira ainda devem depor na Delegacia de Ordem Social. O delegado Vinicius Augustus de Carvalho disse que os pais da criança também comparecerão à delegacia. A Get disse ontem que a mãe da criança não falaria mais com a imprensa, apesar da autorização do advogado Bôrtolo Escorsin.DivulgaçãoO bebê que olha o pênis escandalizou muita gente e gerou processoAnna Camanducaia

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