Pais devem tomar cuidado com superexposição
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sábado, 19 de setembro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Amanda tem 16 anos e por onde anda carrega junto uma máquina fotográfica digital. Seja em churrascos de família, no shopping, comendo uma pizza com os amigos ou até na escola, a lente está pronta para capturar as mais diferentes poses. Eu gosto porque com a digital a gente pode ver na hora e só revela se quiser, diz Amanda Priscila Mendes de Moraes.
Nessa brincadeira de carregar a xereta para todo canto, ela já soma 545 fotos, divididas nos cinco álbuns publicados no Orkut (site de relacionamentos), do qual faz parte há quatro anos. Às vezes levo bronca do meu pai e tiro alguma foto, mas vivo adicionando fotos novas, conta a estudante, que não se importa com a fiscalização dos pais. É bom olhar.
Oriento sempre, mas a Amanda tem uma cabeça boa, comenta a mãe da jovem, Marcia Regina Dutra Mendes de Moraes. Segundo ela, é comum os pais visualizarem o Orkut da filha para ler os comentários das fotos e os recados. De vez em quando acompanho as conversas dela no MSN, mas percebo que são apenas papos de adolescente. E sempre que encontro uma imagem dela na praia ou na piscina, de biquini, peço para tirar do site, conclui Marcia, contando que a filha já apresentou para o casal amigos que conheceu na internet. Controlo porque tenho medo por ela.
Medo é o sentimento mais distante da mente dos jovens adoradores da internet: sem critério para a divulgação de imagens privadas na rede, famílias correm o risco de se tornar alvo fácil de pedófilos. Para o consultor em segurança da informação Wagner de Paula Rodrigues, que atua em Londrina, como a pedofilia é um dos crimes antigos mais velados pela sociedade, a saída é conscientizar maciçamente a população.
Em Londrina o assunto ainda é pouco comentado, mas muitas famílias me procuram para buscar informação, tirar dúvidas e identificar problemas. Pais até pedem que eu analise o computador do filho sem agredir a privacidade do jovem, cita o consultor.
Universo virtual
Para ele, a discussão vem do confronto entre uma geração que não tinha contato com a tecnologia e uma geração que nasceu usando computador. Hoje você vê crianças de seis anos com notebook no quarto. Proibir não é a saída, mas o filho deve estar ciente de que está sendo observado pelos pais.
Rodrigues lembra que o Orkut é proibido para menores, apesar de o maior público do site ser formado por adolescentes. Jovens já estão mentindo para entrar num universo virtual e não têm noção de que as comunidades são grandes pontos de aliciamento, reforça o consultor, informando que recentemente o Google dirigiu à polícia brasileira 30 gigabytes de informações sobre comportamentos ilegais no site.
Pedófilos não carregam uma placa dizendo: Sou pedófilo. Por isso cabe à sociedade acompanhar o que acontece na rede, só os órgãos especializados não dão conta, reitera o consultor. Para ele, aliciadores que atuam na internet possuem desvio de caráter e o computador é apenas um facilitador da ação. Pedófilos têm preparo para atuar nesse meio, não expõem o rosto nem informações pessoais de forma gratuita. Eles criam um cenário para obter da criança o máximo de informação possível.
Conforme Thiago Tavares, diretor da SaferNet Brasil, a ONG recebe diariamente cerca de 350 denúncias contra páginas da web, sendo que 60% das reclamações estão relacionadas a conteúdos de pornografia infantil. Há casos de adolescentes que colocam vídeos próprios sem que os pais saibam e acabam alimentando a rede de pedofilia, ressalta.
Segundo Tavares, em alguns casos, o problema não termina com a remoção do vídeo. Pedófilos podem ter copiado o arquivo e voltam a postá-lo usando uma conta falsa de e-mail. Há três anos, conseguimos que provedores estrangeiros, mais utilizados, se adequassem às leis brasileiras. Eles são obrigados a manter o material, mesmo que retirado pelo autor, por um determinado tempo, informa Tavares.
Ele lembra que no ano passado, o presidente Lula sancionou uma lei que determina como crime os atos de produzir, dirigir, filmar, vender, expor, compartilhar ou publicar cenas de sexo explícito ou pornográfico em qualquer meio, com pena de três a oito anos de prisão. (Com Agências)


