O médico pediatra e hebeatra (especialista em adolescentes) Walter Marcondes Filho relata que a adolescência pode trazer infindáveis conflitos internos, baseados na perda da infância, da identidade e do corpo infantil e dos ''pais da infância''. Segundo ele, nesta fase os jovens vivenciam, além das mudanças físicas, sentimentos de invasão de privacidade, da possibilidade do desejo incestuoso inconsciente e sentem que as transformações os levarão a um novo mundo, extremamente temido, que é o mundo do adulto.
''áBanho com os filhos somente quando são bebês ou até o início da primeira infância, pois a sexualidade vai se formando já a partir do nascimento. Não há naturalidade em se tomar banhos com filhos adolescentes ou púberes, isso só vai trazer mais conflitos ao jovem. Uma relação saudável não inclui intimidade dos corpos de adultos e crianças ou adolescentes, pois aí está a gênese de muitos problemas emocionais'', ressalta.
O médico explica ainda que as principais mudanças físicas ocorrem nas meninas entre 8 e 12 anos, enquanto nos meninos, em média, ocorrem entre 12 e 14 anos, com algumas variações para mais ou menos. De acordo com Marcondes Filho, os adolescentes vivem um momento único de conhecimento de sua sexualidade, e cabe aos pais respeitarem esse momento, mantendo-se atentos aos conflitos para poder ajudá-los.
''Manter-se atento não significa vigiá-los ou proibi-los de experiências que vão somar ou não na sua vida pessoal. Não se pode esquecer que todos fomos jovens. Vivemos em épocas diferentes, mas os conflitos básicos são os mesmos. Banhar-se em frente ou junto dos filhos na adolescência provocará uma ansiedade sem precedentes nesta fase.'' (F.B.)

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