Pais devem investir na prevenção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A família da representante comercial Valéria Domingues mora bem perto da escola dos filhos Rafael, 4, e Ana Luiza, 10. Apesar da pouca distância, os dois sempre vão no banco de trás do carro: o garoto na cadeira adequada à idade e a menina presa pelo cinto de segurança do veículo.
A Ana poderia ir na frente, mas acho que o banco traseiro é mais seguro. Os dois usaram bebê-conforto e cadeira de automóvel. Ana, quando era menor, ia no booster (assento elevatório para adequar a altura ao cinto do carro), que também vou usar com Rafael, conta a mãe. Cuidadosa, ela também acompanha os filhos na travessia de ruas, principalmente em locais muito movimentados. No apartamento, colocou telas de proteção nas janelas e sempre cuida para que não subam em locais altos. Os dois fazem natação para diminuir o risco de afogamentos. Prefiro investir na prevenção, explica a mãe.
Os cuidados tomados por Valéria são fundamentais para evitar acidentes, que são a principal causa de morte entre crianças e adolescentes de 1 a 14 anos. Anualmente, é registrado o óbito de 830 mil pessoas nessa faixa etária em todo o mundo. Para alertar sobre o assunto e ampliar o debate sobre o tema, a ONG Criança Segura instituiu o dia 30 de agosto como o Dia da Prevenção de Acidentes com Crianças. Ações educativas são essenciais para reduzir os casos, considera o cirurgião pediátrico especialista em trauma e médico do Siate em Londrina, Mauro Basso. Ele também é consultor da ONG em
Londrina.
Basso considera que essas ocorrências não são meras fatalidades. Na sua opinião, tratam-se de lesões não intencionais que ocorrem por descuido ou negligência. Não são acidentes, reforça ele, lembrando que 95% dos traumas envolvendo crianças poderiam ser evitados pelo maior cuidado dos pais e cuidadores.
Em 2007, de acordo com o Ministério da Saúde, 5.324 crianças e adolescentes morreram no Brasil em função de acidentes. Outras 136.329 foram hospitalizadas pelo mesmo motivo. Basso esclarece que as quedas perfazem a maior parte das estatísticas, seguidas por acidentes de trânsito e afogamentos.
No trânsito, as vítimas de menor idade são normalmente ocupantes dos veículos. Já as maiores acidentam-se também em atropelamentos, a pé ou de bicicleta. O médico denuncia uma situação alarmante, constatada durante o trabalho diário no Siate: na maioria das ocorrências de trânsito com menores envolvidos, as crianças estavam sendo transportadas de maneira inadequada, sem uso das cadeiras específicas para cada idade.
A população está mais consciente, mas grande parte dos pais não usa a cadeira, apesar de já estar provado que elas diminuem o risco de morte em 70%, afirma. Segundo Basso, bebês de até um ano devem ser transportados em bebês-conforto afixados de costas para o banco do passageiro da frente. Até 4 ou 5 anos, de acordo com o peso, as cadeiras são os equipamentos de segurança mais indicados.
A partir dessa idade e até a criança ser capaz de encostar toda a planta do pé no chão com a coluna alinhada ao banco, preconiza-se o uso dos boosters. É importante adquirir todos esses equipamentos com boa qualidade, que sejam certificados pelo Inmetro.
Na rua, o desenvolvimento da independência aumenta também os riscos. As crianças maiores são curiosas, destemidas e gostam de imitar personagens da televisão, por isso acabam expondo-se, acredita. Até os 10 anos, porém, elas não têm desenvolvimento neuropsicomotor para avaliar os riscos e acabam não dimensionando as distâncias seguras para atravessar a rua. Além disso, têm a visão bloqueada pela altura. O ideal, ressalta, é atravessar de mãos dadas com um adulto, que deve segurar os pequeninos no punho para evitar escapadelas inesperadas.
Serviço:Informações sobre prevenção de acidentes no site www.criancasegura.org


