Diretor do Centro de Especialização em Fonoaudiologia (Cefac), Jaime Luiz Zorzi, diz que, em relação à comunicação verbal, há necessidade da atenção de pais e pediatras para o desenvolvimento da linguagem antes de o bebê completar um ano. Ele informa que o processo normal da fala tem início quando o bebê começa a se comunicar através de gestos, a olhar e a balbuciar. ‘‘Esse processo ganha força a partir dos 10 meses, momento em que se observa capacidade de comunicação não-verbal significativa’’.
Nessa fase, diz Zorzi, a atitude dos pais pode incentivar o desenvolvimento. O fonoaudiólogo ensina: ‘‘A criança precisa ter com quem conversar, modelos de linguagem, pessoas interessadas na comunicação, que repitam os sons que elas emitem. Se os pais não corresponderem, sozinhas elas não aprenderão a falar’’.
O professor destaca a importância da afetividade no processo da fala. Mas adverte os pais para que utilizem uma linguagem acessível, evitando extremos. ‘‘Não devem infantilizar muito, utilizando os ‘inhos’ (diminutivo), nem usar palavras complexas’’.
Autor de vários livros, entre eles ‘‘Retardo de Aquisição de Linguagem’’, Jaime Zorzi explica que há crianças que se desenvolvem mais rapidamente, começando a falar a partir de um ano. A fase considerada normal, segundo ele, vai até os dois anos. ‘‘Mas antes disso já é possível detectar problemas e corrigi-los.’’
O retardo na aquisição da linguagem, diz o professor, pode ser motivado por fatores físicos e psíquicos. Ele diz que os pediatrias podem contribuir na detecção e aconselha os pais para que fiquem atentos. ‘‘Muitos buscam atendimento quando a situação já está mais grave.’’
Segundo Zorzi, o fonoaudiólogo tem condições de analisar o desenvolvimento completo da criança, desde os aspectos das habilidades sociais importantes para a aquisição da linguagem até os da inteligência. ‘‘Fazemos um trabalho conjunto com outros profissionais.’’
(Luka Morais)

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