Pais devem 'abrir o jogo', diz psicóloga
O fato dos pais em geral terem muito pouco tempo com seus filhos é um fator que influencia na relação dos pequenos com o mercado, afirma a psicóloga Giuliana Temple. ''O pai acaba fazendo todas as vontades da criança como forma de compensar o pouco tempo passado em família. Na verdade eles atendem às necessidades materiais para camuflar uma ausência educacional que a criança tem e que nem sempre é suprida.''
Ela destacou que é importante que os pais gastem o tempo com os filhos longe das compras e da alimentação em excesso. ''Sabemos que sempre que temos um sentimento que não conseguimos identificar, encontramos duas saídas: a comida ou as compras. Por conta disso temos tantas crianças - e adultos - obesas, e o consumo exagerado ganha cada vez mais espaço.''
Para Giuliana, a melhor forma de lidar com isto é abrindo o jogo. ''Os pais devem mostrar as possibilidades de compra e deixar as crianças conscientes da situação financeira da família.'' Ela destacou que as crianças precisam ouvir ''não'' e aprender a viver com a sensação de frustração. ''É preciso mostrar que, como na vida adulta, nem sempre elas terão aquilo que querem'', disse.
Não ceder aos apelos do filho muitas vezes é uma tortura, segundo a psicóloga, a maioria dos pais não sabe lidar com a própria frustração e em vez de encarar que não tem condição financeira de comprar o objeto que a criança deseja, parcelam a compra e acabam se endividando por conta disso.
Para aqueles que optam pelo sistema da ''mesada'', a orientação de Giuliana é que os pais respeitem o desenvolvimento mental de cada criança. ''Recomendo que os pais de crianças com menos de dez anos que queiram estipular a mesada, dividam o dinheiro e entreguem semanalmente. Para eles, é mais fácil administrar o dinheiro durante um tempo mais curto, como uma semana, do que durante o mês todo. Vale lembrar que até os sete anos de idade as crianças não têm nem noção de valor nem de tempo.'' (M.A)





