Pais demonstram mais ansiedade que os filhos
Não são apenas os garotos e os treinadores que têm que lidar com o sentimento natural de frustração de qualquer processo de seleção. Os pais dos candidatos, muitas vezes, ficam mais ansiosos que os filhos. ''Muitas vezes, quando você dispensa um garoto, torna-se um inimigo para o pai. Muitos não falam na frente, mas a gente sabe dos comentários. A orelha 'esquenta' bastante'', revela o treinador Wilson Silva, do PSTC.
Segundo o gerente de futebol do Londrina, Udelton Prates, os garotos têm demonstrado mais tranquilidade que os pais. ''Os meninos hoje estão bem conscientes. Já o pai quando vê o filho marcando um gol já acha que ele é o rei. Mas é difícil ter reclamação. Porque a realidade é que quem nasceu para ser jogador se sobressai'', ressalta Prates.
Da mesma forma que a dispensa não significa o fim do sonho, a aprovação na peneira, ressalta o técnico, não é garantia de que o jovem será um profissional. Assim como os reprovados têm que continuar tentando, os escolhidos passam a fazer parte do clube e passam por avaliações constantes.
''Antes a gente jogava mais pelo prazer. Hoje, o moleque vê mais o que a mídia expõe sobre o esporte. Mas você tem que saber que brincar de jogar bola é uma coisa e o profissionalismo é bem diferente, bem mais difícil'', alerta o ex-meia do Tubarão Júlio, 38 anos. Hoje empresário, José Júlio Jerônimo dos Santos aposta que o filho Júlio Guilherme, em testes no PSTC, pode seguir seus passos. E no caso de reprovação? ''Não tem problema. Ele vai fazer boné comigo e jogar amador.'' (F.R.F.)





