Michele Muller
De Curitiba
Os pais do estudante Rafael Rodrigo Zanella – morto em maio de 97 durante uma batida policial – reuniram-se ontem com o novo secretário de Estado da Segurança Pública, José Tavares, para cobrar a condenação dos envolvidos do crime. ‘‘Se o senhor me prometer alguma coisa, tenha certeza de que eu vou cobrar depois’’, disse a mãe da vítima, Elizabeta Zanella, assim que entrou no gabinete do secretário.
O encontro foi promovido pelo deputado estadual Valdir Rossoni (PTB) depois de um protesto que a família realizou na assembléia, anteontem, contra a decisão dos deputados de barrar a instalação de uma CPI do Narcotráfico no Paraná. ‘‘Esse caso está parado no seio da própria polícia. Nós não concordamos com isso e queremos que alguma atitude seja tomada’’, disse Rossoni.
O secretário disse que fará o possível para que os envolvidos no crime sejam justamente condenados. Mesmo assim, ele adianta que, passados três anos do assassinato, a justiça pode não acontecer com tanto êxito. ‘‘Com o passar do tempo, as provas vão desaparecendo. Uma coisa é investigar o crime na hora, discutir com peritos e ter em mãos um laudo completo. Outra coisa é pegar um inquérito cheio de vícios.’’
Apenas o autor do disparo, o motorista Almiro Deni Schmidt, está preso. O delegado Maurício Fowler, responsável por incriminar o estudante, escondendo maconha na roupa do rapaz e colocando uma arma em seu colo, continua impune. ‘‘Eu tenho que verificar se realmente está provado que ele fez isso. Se conseguir as provas, serão tomadas providências, pois o policial não tem a menor condição de estar trabalhando’’, disse o secretário. ‘‘Eu concordo que existe muita impunidade no Paraná em relação à polícia, e isso me revolta, me envergonha’’, completou.

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