Pais de jovens mortos em acidente entram com ação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de dezembro de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba As famílias dos quatro jovens que morreram carbonizados em um acidente de carro em setembro do ano passado, em Curitiba, entraram ontem com uma ação judicial contra os pais do adolescente que dirigia o veículo. G.R.M.C., na época com 16 anos, foi o único sobrevivente e também é responsabilizado na ação que pede reparação por perdas e danos no valor de R$ 1 milhão. Os pais do adolescente que teria emprestado o carro da mãe para os amigos também estão sendo citados. Morreram no acidente Jacques Eduardo Bordin, 18 anos, Thiago Augusto da Silva Magalhães, 17, Rafael Martins Ferrari, 17, e Rodrigo de Castro Arruda, de 16 anos.
Os advogados André da Costa Ribeiro e José Renato Gaziero Cello, que assinam a ação, justificam no documento que os pais dos jovens tinham expectativas em relação ao futuro profissional de seus filhos e investiram na formação deles. Eles estudavam num dos melhores colégios da cidade e concluíam cursos de língua estrangeira.
O acidente aconteceu na noite de 21 de setembro, na Avenida João Gualberto. Segundo testemunhas relataram na época, o carro vinha em alta velocidade e perdeu o controle ao fazer a curva. O veículo bateu contra um poste e pegou fogo minutos depois. Um motorista de ônibus que tentou socorrer os jovens teve tempo apenas de tirar o motorista, cortando o cinto de segurança.
Na ação, os advogados relatam que os jovens estariam em um churrasco na casa de um amigo adolescente e teriam saído em dois carros o segundo veículo também era dirigido por um menor e viria logo atrás. Ao se depararem com a cena do acidente, os jovens do outro carro teriam fugido do local.
O contador Cezar Antonio Bordin, pai de Jacques, diz que eles até entendem que o acidente foi uma tragédia. Mas, segundo ele, ficaram revoltados com a ''insistência'' dos pais do menor que sobreviveu e do que emprestou o carro, que teriam delegado a culpa pelo acidente aos jovens que morreram. A versão do rapaz que sobreviveu foi de que o amigo que estava a seu lado puxava o volante para o carro balançar.
Bordin lembrou que era seu filho, o único maior do grupo, que ocupava o banco dianteiro do carona e foi o último a chegar à festa por volta das 23 horas. Ele pondera que como o acidente aconteceu cerca de 40 minutos depois não havia possibilidade de Jacques estar embriagado como, segundo ele, chegaram a afirmar.
O advogado de defesa de G.R.M.C., Juliano Lago Sebben, disse que não tem conhecimento da ação e que só irá se manifestar sobre o assunto quando for notificado judicialmente. Como na época G.R.M.C. era menor, o Instituto da Criança e do Adolescente instaurou procedimento de ressocialização, aplicando como medida sócio-educativa, tratamento psiquiátrico e acompanhamento de uma assistente social.


