Pais de deficientes pedem ajuda para transportar os filhos
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Se até o ano passado não era fácil manter sozinha uma família de seis pessoas com o salário mensal de R$ 784, do início do ano para cá parece que a vida da auxiliar de enfermagem Rosilene Aparecida Alves, 42 anos, ficou ainda mais difícil. Sem o transporte escolar que leva o filho deficiente mental de casa, no Cafezal II (Zona Sul), para o Centro Ocupacional, no Alto da Colina (Zona Oeste), o jeito foi substituir as fraldas descartáveis que ele usa pelas de pano, para arcar com os R$ 100 mensais que é o custo de uma van para fazer o transporte.
Emocionada, Rosilene relatou ontem à tarde na Câmara de Vereadores a situação da família dela e de outros pais de alunos deficientes que desde o final do ano passado ficaram sem o transporte escolar especial integral. Na ocasião, uma avaliação fisioterápica comandada pela Secretaria Municipal de Assistência Social concluiu que 107 estudantes teriam de tomar o ônibus para a instituição educativa a partir do Terminal Urbano, e não mais das proximidades de casa. Apenas uma minoria com deficiência motora continua contando com o benefício. A atribuição foi assumida pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), ano passado, depois de ter sido executada por mais de duas décadas pela Pastoral das Pessoas com Deficiência.
''Há 38 alunos que sabemos que estão em casa por não terem condições de irem até o Terminal. Esses filhos também são cidadãos, do jeito deles, mas são, e ficar em casa os deixa inúteis, ou agressivos. Espero que as autoridades se sensibilizem para resolver essa situação'', pediu a auxiliar.
Representante da Câmara no Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a vereadora Sandra Graça (sem partido) protocolou ontem requerimento pedindo a regulamentação do transporte. ''Precisamos de ações tempestivas e efetivas'', reclamou.
A presidente do Conselho, Martinha Clarete Dutra, afirmou que uma reunião ontem à tarde da comissão formada para estudar o assunto e da qual participam CMTU, Prefeitura (Educação e Assistência Social), pais, Ministério Público e Conselho decidiu que uma avaliação psico-social será feita até o fim de semana. ''Isso vai definir quem será reintegrado ao transporte especial'', disse.


