Milton DóriaOs sem-aulaPais reunidos com a assessora Marúcia Canesin: mais de 70 crianças estão sem vaga na zona lesteMais de 70 crianças e adolescentes de bairros da zona leste de Londrina estão sem estudar. O motivo apontado por um grupo de pais, que esteve ontem na Prefeitura pedindo providências, é a falta de vagas nas escolas daquela região. O problema atinge o jardim Santa Fé, vila Ricardo e Rosa Branca 1 e 2, que concentram população de baixa renda. A Secretaria Municipal de Educação tem projeto de construir uma escola no jardim Santa Fé, que poderia absorver a demanda, mas a execução está condicionada à liberação de recursos pelo Estado ou pelo Governo Federal.
O levantamento das crianças que não frequentam as escolas foi realizado pela freira Tânia Regina Micheletti, que atua na evangelização e promoção humana naqueles bairros da região leste. De acordo com a religiosa, sem ter atividades escolares, a maior parte das crianças fica nas ruas, o que tem causado muita preocupação à comunidade. A irmã Tânia apresentou os números ao presidente do Conselho Tutelar, Júlio Botelho. O conselheiro acompanhou o grupo de pais ontem pela manhã na Secretaria Municipal de Educação.
‘‘Essa é uma situação de risco para as crianças’’, diz Botelho. Ele diz que a situação fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ele cita especialmente o artigo 53, capítulo 4, que assegura o acesso e permanência de todos os menores ao ensino público gratuito.
Os pais afirmam que as escolas mais próximas, localizadas nos jardins Mafei, Interlagos, Ideal e na Vila Ricardo não têm vagas para as crianças. Atendidos pela assessora da Secretaria de Educação, Marúcia Canesin, o grupo sugeriu que as aulas fossem dadas em algum espaço alternativo. De acordo com informações da assessora, a medida não funciona. Também propuseram a criação de turmas em horários intermediários. ‘‘Esta alternativa, eles ficaram de estudar’’, disse a irmã Tânia Micheletti.
A assessora Marúcia Canesin informou que será feito novo levantamento da situação e esclareceu que o número de crianças que poderiam estar frequentando a rede municipal é de 40, aproximadamente. As mais de 30 restantes, diz ela, deveriam estar na rede estadual, responsável pelo ensino de 5ª a 8ª série e pelo 2º grau. A assessora disse ainda que vai se reunir com as diretoras das escolas próximas ‘‘para tentar encaixar todas as crianças que ficaram sem vagas’’.
Mas solução para atender toda a demanda, entende Marúcia Canesin, seria a construção da escola no jardim Santa Fé.
A assessora de Planejamento da Secretaria de Educação, Carmem Lúcia Báccaro Sposti, informa que o projeto de construção da escola, com quase 900 metros quadrados, seis salas de aula, capacidade para 450 alunos em dois turnos, orçada em R$ 346 mil, foi elaborado no ano passado. O projeto teve o processo de licitação interrompido, segundo Carmem Sposti, porque não havia garantia de liberação de verbas.
A atual administração municipal, segundo informa a assessora, já encaminhou protocolo de intenções para retomar o processo de licitação. Mas a obra, caso não obtenha recursos do Estado, poderá ser executada com verbas da Governo Federal. ‘‘Estamos analisando várias possibilidades e aguardando a sistemática do Governo Federal para encaminhar os projetos’’, disse Carmen Sposti.

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