Curitiba - Professores e pais de alunos do Colégio Estadual Professora Iara Bergmann, localizado no bairro Sítio Cercado, região Sul de Curitiba, programaram um protesto no início da noite de ontem para reclamar da superlotação nas salas de aula da escola. Eles alegam que a instituição tem capacidade para atender 1,7 mil alunos de 5 à 8 série do Ensino Fundamental e de Ensino Médio, mas atualmente mais de 2,6 mil estão matriculados.
Recentemente, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) estabeleceu um quarto turno de aula no colégio, entre as 11 horas e as 14h30. A escola já tinha turmas nos horários da manhã, tarde e noite. Os alunos que estudam no turno intermediário também têm aulas aos sábados pela manhã.
Arlete do Rocio Paixão, que tem um filho de 11 anos matriculado no colégio, apontou que outro problema é o excesso de alunos por turma. ''Na sala do meu filho, no turno intermediário, tem mais de 40 estudantes. É complicado, porque o horário do almoço fica difícil. Meu filho fica sem apetite, está até perdendo peso. Algumas turmas saem às 18h30, e os alunos têm que voltar para casa a pé no escuro'', disse ela.
Os pais de alunos também criticaram uma decisão da Seed de construir a Escola Estadual Vila Osternack num local que fica a 3,5 quilômetros da própria vila, onde reside a maioria dos estudantes da escola Iara Bergmann. Além da distância, os alunos teriam que diariamente passar por uma linha férrea e atravessar um córrego.
A professora Sheila Marize Toledo Pereira, chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), afirmou que o turno intermediário foi criado para evitar alunos ficassem sem aula. ''Nos oito anos do governo anterior, não foi construída nenhuma escola estadual na região Sul de Curitiba. A demanda é grande porque a população da área cresceu muito. Por isso, o governo atual está construindo três escolas na região'', disse Sheila, que afirmou que todas as novas instituições devem estar funcionando até o início do ano que vem.
A respeito da Escola Estadual Vila Osternack, a professora explicou que o Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) ainda está analisando a situação.
A assessoria de imprensa da Seed informou que não há problemas de superlotação em outras escolas estaduais.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná (APP Sindicato), José Lemos, disse que a entidade está realizando reuniões para fazer com que os deputados estaduais derrubem veto do governador Roberto Requião (PMDB) a um projeto de lei que estipula número máximo de alunos por turma nas escolas estaduais.
''Em grande parte dos colégios mantidos pelo Estado, principalmente nas grandes cidades, o número de estudantes por turma está além dos limites descritos no projeto. Para que ninguém fique sem aula, o governo teria que construir mais salas e escolas e também aproveitar melhor os espaços das instituições que já existem'', argumentou Lemos.

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