Pais culpam hospital pela morte do filho de 7 meses
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Osmani Costa 
Paulo WolfgangTristeza e acusaçõesO enterro de João Paulo, ontem à tarde: parentes dizem que houve falha no atendimento do HU João Paulo Graciano Ferreira, com sete meses de idade, foi sepultado ontem à tarde no Cemitério Padre Anchieta (zona leste). Ele havia morrido anteontem no Hospital Evangélico de derrame pleural, em consequência de acúmulo de água no pulmão, com pneumonia. João Paulo era o quarto filho do casal Carlos Roberto e Marta Graciano Ferreira. Inconformados com a morte do filho, eles afirmam que pedirão à Polícia Civil a abertura de inquérito para investigar as condições em que ela ocorreu. Eles acham que João Paulo não teria morrido se tivesse sido internado no Hospital Universitário (HU), no último dia dez, quando foi atendido pelo médico Ronaldo Siqueira de Paiva.
Ronaldo de Paiva é médico formado pela UEL e faz seu primeiro ano de residência no HU. Naquele dia ele estava de plantão no pronto-socorro, atendeu a criança, considerou que ela não necessitava de internamento e receitou alguns remédios para bronquite. Marta Ferreira conta que a saúde de seu filho não melhorou com os medicamentos. Pelo contrário, ele foi piorando. A febre não baixava. Ele não comia e nem dormia direito; tinha muitos tremores. No domingo, ligamos para o HU, mas disseram que não tinham pediatra de plantão e que deveríamos levar o João Paulo ao Hospital da Zona Norte (HZN). Foi o que fizemos, conta a mãe.
O menino ficou internado no HZN de domingo até a manhã de anteontem, quando foi transferido às pressas para o Hospital Evangélico. Segundo os pais, João Paulo foi muito bem atendido no Hospital da Zona Norte e no Evangélico. Os médicos e enfermeiras destes dois hospitais fizeram tudo o que puderam, mas a saúde do meu filho já estava muito abalada. O problema maior foi ele não ter recebido o tratamento que precisava no Hospital Universitário, na semana passada, afirma Carlos Roberto Ferreira.
Durante o sepultamento, familiares e vizinhos - residentes no Jardim Novo Amparo (zona oeste) - estavam muito emocionados e revoltados com o atendimento que João Paulo recebeu no HU. Aquele hospital já foi muito bom, mas hoje está péssimo. Nada vai trazer nosso filho de volta, mas com certeza vamos pedir à Polícia para processar aquele médico, diz Marta Ferreira, referindo-se a Ronaldo de Paiva.
O médico-residente explica que não tem como se lembrar do atendimento específico a João Paulo.Já se passou uma semana e atendemos a muitas crianças em cada plantão no Pronto-Socorro. Mas ele garante que jamais daria alta a um paciente que necessitasse de internamento: Caso não tivéssemos leitos disponíveis, ele teria sido encaminhado a outro hospital, se estivesse em estado grave. Se eu receitei remédios e permiti que ele voltasse para casa, é porque suas condições de saúde não eram ruins.
Claudio Camacho, superintendente do HU, afirma que, diante das denúncias de negligência médica pelos familiares de João Paulo, abrirá imediatamente um processo administrativo que investigará o caso. Determinarei a uma comissão interna de médicos que ouça os responsáveis pelo atendimento e avaliem o prontuário. Caso ela considere necessário, ouvirá também os pais do menor. Esta comissão terá 15 dias para concluir seus trabalhos e divulgar os resultados, explica. Caso fique confirmada a negligência médica, o caso é encaminhado à comissão de ética do HU e ao Conselho Regional de Medicina. Do contrário, o caso é arquivado.


