Uma reunião ocorrida ontem de manhã, que deveria ser apenas para a apresentar as interventoras que assumiram o Centro Ocupacional de Londrina (COL) aos cerca de 70 pais presentes, foi tumultuada do início a fim. Foram registrados protestos contra a determinação do juiz da Vara da Infância e Juventude, Ademir Ribeiro Richter, a pedido da promotora Édina Maria Silva de Paula.
''As autoridades precisam entender que estes jovens são um pouco agressivos, tanto que não conseguem se adaptar a Apae ou ao Ilece (outros centros que atendem deficientes). Em momentos de crise, meu filho precisa ser imobilizado e isso é normal'', afirmou a costureira Eliana de Souza Fieramosca, 41 anos, mãe de um aluno de 14 anos. O COL atende jovens portadores de necessidades especiais e teve a diretoria antiga afastada por determinação judicial, por causa de acusações de maus tratos.
A engenheira Lisette Picardo Batista, 43, que tem um filho de 16 anos atendido pelo COL há oito anos, também defende a antiga diretoria. ''Ele sempre se deu bem com as diretoras e jamais voltou para casa machucado. Meu filho precisa desta escola porque não foi aceito em nenhuma outra instituição'', disse Lisette, destacando que os 18 anos de trabalho do COL ''foram jogados na lama por causa de uma denúncia infundada''.
Para o aposentado João Alves da Silva, 80, os funcionários afastados fizeram mais que atender as necessidades do filho de 23 anos. ''O rapaz foi aposentado graças à ajuda da diretoria antiga. Ele sempre foi bem tratado aqui.''
A dona de casa Luzia Frederico Zampar, 52, reuniu outras mães de alunos e seguiu para o Fórum na tentativa de falar com a promotora. Depois de um pequeno desentendimento, o grupo foi levado para uma reunião a portas fechadas. ''Elas estavam meio nervosas no início, mas eu as tranquilizei sobre o atendimento que seguirá normal. Também sugeri que façam uma assembléia de pais, prevista em estatuto, e indique um representante para participar do grupo de interventores'', disse a promotora, salientando que não havia sido comunicada da reunião de ontem.
O grupo deve apresentar uma proposta para a Édina ainda esta semana. O advogado da diretora afastada, Mauro Viotto, disse anteontem que as acusações são ''descabidas''. Ele pretendia pedir a reconsideração da medida tomada pela Justiça.

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