Pais cobram verba para Escola Oficina
Lucilia Okamura
De Londrina
Cerca de 120 pessoas, entre pais, alunos e funcionários da Escola Oficina de Londrina participaram de uma passeata ontem de manhã, no Calçadão (área central). Foi o segundo protesto que eles fizeram nesta semana para expor a situação da escola, que está fechada há quatro dias por falta de recursos.
A escola, localizada no Conjunto João Paz (zona norte), atende 138 crianças e adolescentes, oferecendo educação, cursos profissionalizantes e assistências médica e odontológica, entre outros benefícios. A instituição chegou ao auge de sua crise este ano quando a Secretaria do Estado da Criança e Assuntos de Família (Secri) decidiu não mais renovar um dos convênios o que visa o repasse de R$ 91 mil para a folha de pagamento e corresponde a 40% dos gastos da escola, os outros 60% são cobertos pela própria escola e pela prefeitura. Para tentar solucionar o problema, vários contatos foram mantidos entre representantes da Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon) entidade mantenedora da escola, e da Secri. A última reunião aconteceu na quinta-feira à noite, entre o diretor-geral da secretaria, Murilo Campelli, e a presidente da associação, Leozita Baggio Vieira.
Segundo Leozita Vieira, Campelli estará reunido na terça-feira com a secretária da pasta, Fani Lerner, para negociar as reivindicações da Escola Oficina: aumento do repasse emergencial que o Estado está disposto a fazer, no valor de R$ 20 mil, e a garantia de que o convênio com a Secri, seja assinado no próximo ano. A coordenadora da Escola Oficina, Maria das Mercês Peixoto, afirmou que se as reivindicações feitas não forem atendidas, as atividades continuarão interrompidas.
Pais dos alunos foram avisados sobre a situação da escola na sexta-feira. Como os menores permanecerão em casa, foram entregues cestas básicas para auxiliar suas famílias, já que a grande maioria é carente.
A desempregada Neide Santos Cardoso tem duas filhas, as gêmeas Priscila e Paula, 15 anos, atendidas na escola há dois anos. Ela disse que antes de frequentarem os cursos e as aulas, as meninas eram muito rebeldes e costumavam ficar na rua brigando. Elas melhoraram 100%. Na opinião dela, a Escola Oficina está em primeiro lugar para os moradores da região.
A empregada doméstica Taisa Marques da Silva contou que tem dois filhos (Fernando, 15 anos, e André, 13) frequentando a escola há mais de quatro anos. Antes, eles não estudavam e ficavam no sinaleiro pedindo dinheiro, lembrou. Hoje, eles se animaram, estão estudando e fazendo os cursos. Ela disse que os filhos estão muito tristes com a possibilidade de a escola fechar. (Colaborou Érika Pelegrino)





