O desafio diário de criar os filhos ganha cada vez mais apoio de profissionais especializados. Em Londrina, encontros, palestras e cursos voltados especificamente para pais e mães oferecem apoio científico às decisões relativas ao cotidiano das crianças e adolescentes.
Os eventos, na opinião dos especialistas, são também uma oportunidade para a troca de experiências sobre a maternidade e a paternidade. ''A ideia é mostrar que as dificuldades são comuns'', afirmaram as psicólogas Vivian Morete, Leila Omote e Daniele Fioravante, da clínica Psico Vida. Durante dois meses, elas realizarão dinâmicas semanais com famílias interessadas em discutir temas relativos à educação dos filhos. O evento foi batizado de ''Programa de Intervenção Familiar: Escola de Pais.''
Segundo as profissionais, a questão mais conflituosa nos relacionamentos entre pais e filhos é a dificuldade para impôr limites. ''Os adultos trabalham muito e, quando estão com os filhos, acabam sendo permissivos. Com isso, as crianças passam a não aceitar regras, fazem birra e manipulam os pais para conseguirem o que querem'', avaliaram.
Na opinião delas, o conceito de que o pouco tempo passado com os filhos deve ter ''qualidade'' foi desvirtuado. ''Os pais acabam fazendo as coisas divertidas, compensam com presentes e se esquecem que a qualidade deve incluir os limites.'' O problema costuma ficar evidente quando a criança começa a ir para a escola e, entre os colegas, não sabe ''dividir''. ''A ideia do programa é trabalhar os pais.''
Levar informações sobre o comportamento infantil e adolescente também é o objetivo dos encontros promovidos no grupo Vita Afeto, comandado pelo educador e especialista em desenvolvimento humano Luís Carlos Mozzato. ''A intenção é oferecer um espaço de acolhimento para as famílias discutirem os próprios dilemas. É uma especialização para o grande projeto que é a vida de um filho'', disse.
Segundo ele, os palestrantes são de áreas diferentes. ''Já tivemos pediatra, educador, psicólogo e sociólogo'', exemplificou. A principal dúvida diz respeito a agir assertivamente com as crianças e as mudanças físicas e comportamentais da adolescência.
O professor defende que as famílias atuais vivem uma crise. ''Há uma confusão de papéis. As babás ou professoras do berçário acabam tendo mais influência que os pais sobre as crianças. Essas relações têm que ser de parceria e não de terceirização'', comparou, enfatizando que o papel de cuidar é da família. ''É preciso resgatar a responsabilidade dos pais perante os filhos.''
Outra instituição que oferecerá atendimento aos pais é o Instituto da Família, que no ano que vem realizará palestras para interessados em discutir como equilibrar afeto e limites. ''Os pais não educam no pouco tempo que ficam com as crianças, que se tornam imediatistas e consumistas'', explicou a psicóloga Karla Fernanda Svenson. As palestras serão proferidas por profissionais de áreas diversas, em alguns meses do ano.
Serviço:
www.vitadesenvolvimentohumano.com.br
www.ftsa.edu.br
www.psicovida.com.br

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