Pais aprendem a padecer no paraíso
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sábado, 12 de agosto de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O engenheiro mecânico Vladimir José Bertão, de 39 anos, não vê a hora em que poderá, finalmente, olhar a carinha de Mariana, primeira filha dele e da esposa, Melissa. Sua ansiedade não reflete só uma curiosidade comum a todos os pais. Daqui a 15 dias, data aproximada do nascimento, Vladimir poderá colocar em prática os conhecimentos que recebeu durante o curso preparatório para pais, realizado na Maternidade Curitiba.
''Na teoria, aprendi tudo. Dar banho, por exemplo, na teoria, parece fácil'', brinca. Ele garante, no entanto, que pretende levar a sério a tarefa de ser pai. ''Minha intenção é participar bastante no período em que estiver em casa, inclusive de noite. Quero fazer o que puder para ajudar'', diz.
Vladimir admite que ficou ''meio arredio'' quando Melissa propôs que ele também participasse do curso para gestantes, mas depois acabou se interessando pela idéia.
No curso, não aprendeu apenas como pegar um bebê, trocar fraldas, dar banho, como identificar o choro da criança, entre outras tanta dicas. O curso também serviu para esclarecer dúvidas sobre o que ocorre com a mulher na gravidez. ''Antes, eu ficava preocupado quando ela tinha dores. Agora vi que é comum, praticamente 100% das mulheres têm dor nas costas, reclamam que o bebê empurra as costelas. Eu entendi melhor como funciona'', afirma.
''Na minha opinião, é fundamental, seja para o primeiro, segundo, terceiro filho'', complementa o analista de sistemas Rogério Gomes Santos, de 40 anos, pai de Matheus, de apenas 13 dias. Santos, na verdade, é um verdadeiro ''paizão''. Marinheiro de primeira viagem, desde que a mulher ficou grávida procurou se inteirar sobre o assunto. Junto com a esposa, Marines, leu livros sobre gravidez e frequentou dois cursos preparatórios. ''Sempre fui bem participativo, meus amigos até brincavam comigo dizendo que eu é que estava grávido, não minha mulher'', diz.
Santos conta que até então nunca tinha pegado um recém-nascido no colo. ''A gente tem um monte de medos, mas como dizia uma psicóloga que deu o curso, apesar dos pais, o bebê consegue sobreviver'', diz ele, que depois do curso sentiu-se muito mais seguro para assumir tarefas do dia-a-dia. ''Tenho amigos que nunca levantaram à noite para ver porque o filho está chorando. Mas eu acho que a mulher não tem o filho sozinha e sempre fiz questão de participar de tudo. Acho que é porque nós queríamos muito ter um filho, planejamos tudo'', conta. Nesses primeiros dias, Santos tem, inclusive, dormido no quarto do bebê para não incomodar a mulher. ''Esses dias eu vi o sol nascer com ele no colo. Foi maravilhoso'', lembra.


