A 3ª Mostra de Painéis de Psicologia Escolar reuniu, segunda-feira e ontem, vários trabalhos de 35 alunos do 4º e 5º anos do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O trabalho, coordenado pela professora Mary Neide Damico Figueiró, teve como principal objetivo divulgar para a comunidade universitária e em geral em que consiste o trabalho do psicólogo escolar. ‘‘Os cursos foram direcionados para a psicologia clínica por tantos anos que nem mesmo os alunos que escolhem a área sabem o que é um psicólogo escolar.’’
O desconhecimento da especialidade, diz a coordenadora, faz com que poucos alunos escolham a área como estágio, obrigatório no último ano. ‘‘Depois que conhecem o trabalho a fundo, eles se entusiasmam.’’ O estágio e pesquisas dos alunos nas escolas, creches e entidades assistenciais também têm surtido bons resultados.
Mas a falta de conhecimento sobre a importância desse profissional faz com que, atualmente, ainda sejam poucas as instituições com psicólogos escolares atuando na área.
Além das instituições atendidas através dos estágios, a coordenação conta com uma fila de cerca de dez escolas aguardando pelo atendimento. Das 12 instituições visitadas pelos alunos, pelo menos oito já entraram em contato com o Departamento de Psicologia da UEL, interessadas em se integrar ao programa de extensão.
A coordenadora explica que, diferente do atendimento clínico, o trabalho do psicólogo escolar é traçar um diagnóstico da institituição e ajudar a integrar as relações entre os grupos - professores e alunos, direção e funcionários, etc. O resultado, esclarece, é a melhor qualidade da educação, menor evasão e menor repetência. Para Mary Neide Figueiró, o psicólogo escolar detecta os ‘‘pontos de tensão’’ e interfere para que eles sejam solucionados ou amenizados.
Ela enfatiza ainda que, apesar de o psicólogo escolar não dar o atendimento clínico individual, ele pode e deve orientar o atendimemto quando considerar necessário. ‘‘A presença do psicólogo gera confiança e, em contato direto com a comunidade escolar, o profissional é capaz de identificar casos específicos onde um acompanhamento direto seja mais indicado.’’
O projeto de lei 452/96, do vereador Renato Araújo (PPB), pode mudar a realidade das escolas municipais, incluindo no seu quadro de funcionários o psicólogo escolar. Na justificativa, o vereador explica que a situação exige um quadro de profissionais preparados para amenizar as crises entre alunos, professores, pais e administração.
‘‘Acredito que a presença de um psicólogo nas escolas ou uma equipe de psicólogos na Secretaria de Educação pode ajudar a solucionar a síndrome de evasão, repetência e até os descompassos entre administração e as escolas municipais’’, reforça o vereador. O projeto vai à terceira votação amanhã.

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