O espaço urbano de Londrina está perdendo a identidade com a proliferação da propaganda desordenada em cartazes, painéis e outdoors. Em uma visita a alguns pontos da cidade, principalmente na área central, o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), Issao Minami, apontou os principais focos de poluição visual e a descaracterização da paisagem. Arquiteto, urbanista e doutor em comunicação visual, Minami esteve em Londrina ontem ministrando palestra no I Seminário Municipal de Publicidade para estudantes de arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Na rotatória da Avenida Dez de Dezembro, próxima ao Terminal Rodoviário, Minami mostrou os problemas causados pela poluição visual. O local, segundo ele, tem todas as características de como a propaganda não deve ser feita. Os outdoors e os chamados backlights (postes com anúncios no alto) que contornam toda a rotatória encobrem as árvores numa das margens da avenida e impedem os moradores de prédios vizinhos de apreciar a paisagem. ‘‘Ninguém perguntou aos moradores e às pessoas que transitam por aqui se querem ver os anúncios’’, disse Minami.
De acordo com o professor, o Monumento aos Viajantes, no centro da rotatória, ficou ofuscado pela propaganda excessiva ao redor. A propaganda indiscriminada oculta e substitui os marcos referenciais dos lugares, disse. As empresas, na opinião de Minami, querem backlighits cada vez mais altos e mais brilhantes. Para isso, elas alugam espaço físico, mas ocupam o espaço aéreo. ‘‘O céu é o limite’’, observou.
Outro problema visto pelo professor em Londrina foi a presença de propaganda nos vidros traseiros dos ônibus. ‘‘Outdoor ambulante.’’ Minami afirmou que em São Paulo já existe uma lei que proíbe anúncios em veículos. No bairro Aeroporto, as residências e a arborização estão sendo descaracterizadas pela presença cada vez maior de backlight e outdoor.
Segundo o professor, o excessivo número de elementos publicitários nas ruas, calçadas, fachadas de edifícios, terrenos particulares e públicos, dificulta a percepção, causa estresse, pode levar ao aparecimento de doenças psicossomáticas, além de tornar as cidades parecidas umas com as outras. Londrina, Nova York e Cingapura, na opinião de Minami, ficam todas com a ‘‘mesma cara’’. Os sítios naturais, edifícios históricos, praças, parques e a própria arquitetura ficam mascarados pelos anúncios publicitários.
Conforme estudos realizados pelo especialista, a linguagem visual é fruto da sociedade de consumo, mas a população não tem poder de ‘‘decisão na transformação dos espaços da cidade’’. Depois de instalados os anúncios, ‘‘o cidadão é obrigado a ver’’, afirma Minami.
Os estudos realizados pelo professor demonstram que inexiste uma legislação e uma gestão adequadas sobre a paisagem visual. As soluções, segundo Minami, existem e podem ser realizadas pelo poder público. De acordo com o professor, é preciso retirar imediatamente as faixas, cartazes e pichações, além de recuperar os padrões urbanísticos dos espaços públicos. A padronização dos abrigos para ônibus, bancas, floreiras e lixeiras também ajudam na criação de uma identidade visual.

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