Painéis artísticos ignorados em Londrina
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quinta-feira, 02 de outubro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Diz o adágio popular que a pressa é inimiga da perfeição, mas ela também não é amiga da contemplação. Obras elaboradas por artistas plásticos e expostas na cidade passam despercebidas pelas pessoas no corre-corre diário e ficam sem o destaque que merecem. Londrina possui o privilégio de ter duas obras de Poty Lazarotto na área central, mas a maioria das pessoas passa por elas sem apreciá-las. Uma delas, a "Café e Etnias", fica na Caixa Econômica Federal, na agência Rio de Janeiro, onde o fluxo de pessoas é constante e intenso, porém a obra fica praticamente invisível aos olhos daqueles que só fitam o caixa eletrônico ao entrar na agência e, ao concluir as tarefas bancárias, procuram a saída o mais rápido possível.
O empresário Lauerine Ferreira, de 54 anos, por exemplo, confessa que nunca tinha visto este painel com faces de madeiras totalizando 88,16 m² de área dentro da agência bancária. Um dos motivos é o fato de os painéis estarem suspensos, mas ele próprio credita essa desatenção à urgência de pagar as contas. "Com o pouco tempo que dispomos, essa obra passa desapercebida", afirmou. "É muito bonita, mas confesso que não conheço Poty Lazarotto e dificilmente teria percebido a obra se vocês não a apontassem", disse ao contemplar a obra.
O auxiliar administrativo Bruno Felipe Ferreira, de 20 anos, também não havia reparado na obra quando foi à agência, mas ficou admirado com a beleza do painel. Ele contou que em Recife (PE) existe uma lei que incentiva imóveis com mais de 3 mil metros quadrados a implantar painéis de artistas locais. "Deveria ter uma lei como esta por aqui para incentivar a cena cultural local. Muda toda a paisagem de uma cidade", sugeriu.
A ex-gerente da Caixa, Neuza Maria Rosa, de 60 anos, relata que se recorda da época em que o painel foi instalado. "Trabalhava em uma agência em Cambé (Região Metropolitana de Londrina) e ficamos com uma certa inveja quando anunciaram que instalariam uma obra do Poty Lazarotto na agência de Londrina, enquanto na nossa só tínhamos paredes com tijolos aparentes", lembrou.
Curiosamente, dois anos depois da inauguração, ocorrida em 1977, Neuza foi trabalhar na agência da Rio de Janeiro. "Conheci o Poty Lazarotto, quando ele veio ver a sua obra. Ele era uma pessoa simples; veio à agência de chinelos e chapéu de palha e tinha o hábito de fumar um cigarro de palha", relembrou. Ela contou que na época os painéis eram utilizados como divisórias na agência, mas infelizmente muitas pessoas acabavam danificando-os painéis. Por este motivo eles tiveram de ser suspensos, fora do alcance dos clientes.
CONCRETO
No Hotel Cristal está outro painel concebido por Lazarotto. A estudante de Curitiba, Gabriela Rezende, de 16 anos, veio a Londrina participar de um torneio de tênis e não tinha reparado no painel. Ela ficou surpresa ao encontrar uma obra do artista na cidade, revelando que já conhecia as obras do artista na Capital. "Particularmente eu gostei muito dos cavalos representados na obra. Ficaram muito bonitos."
O painel "Lendas Brasileiras" foi feito especialmente para o hotel em 1985. Na época o artista enviou as formas em isopor para que ela fosse concretada na cidade. O responsável por fazer a fundição do painel em concreto foi o funcionário do hotel, José Aílton dos Santos, de 54 anos. "Fiz a fundição da peça em concreto placa por placa, desmoldei e coloquei na parede, um processo bem trabalhoso. Fiquei muito ansioso para ver como ficaria na parede. Na época o artista enviou um croqui para orientar a colocação das placas", explicou.


