Horas a fio de espera, com o filho doente nos braços, sem alimentar-se e, em muitos casos, sem local sequer para sentar-se. Essa era a situação de dezenas de pais e mães que aguardavam atendimento para os filhos na tarde de ontem no Pronto Atendimento Infantil (PAI). A maioria dos casos era de febre e tosse. No Pronto Atendimento Municipal (PAM) o número de pessoas aguardando atendimento também estava acima do normal.
O tempo de espera era, em média, de seis horas. ''Eu cheguei aqui às 10 horas, peguei a senha 107. Agora acho que está na 88'', contou a assistente de vendas Eliane de Oliveira Sanga, às 15 horas. Ela aguardava sentada no chão, do lado de fora da unidade, com o filho Mateus, de três anos, ardendo em febre.
Muitas mães perderam o dia de trabalho para socorrer os filhos. Foi o caso da empacotadora Sandra Spinardi, que havia chegado por volta das 9 horas no pronto atendimento. Às 15h15 o filho Marco Antonio, de três anos, com febre e vômito, não havia sido atendido. ''Primeiro eu fui com ele no posto de saúde da Vila Casoni (Área Central), mas estava tão cheio que me encaminharam para cá. É um descaso.''
A encarregada de laboratório Josi da Silveira começou sua saga às 7 da manhã, na unidade de saúde do Conjunto Ruy Virmond Carnasciali (Zona Norte). Por volta das 10 horas ela saiu do posto com encaminhamento para exame de sorologia no PAI. O filho Alex, de quatro anos, está com febre desde sexta-feira, com suspeita de dengue. O garoto esperava há quatro horas em pé com a mãe, do lado de fora e sem almoço.
Segundo o diretor clínico do PAI e PAM, Mohamed El Kadri, o movimento nas unidades está cerca de 30% acima da média, motivado por fatores como a dengue, gripe A e doenças respiratórias causadas pela queda de temperatura. Ele informou que a média diária de consultas, só no PAI, tem sido de 350. Ontem três pediatras prestavam atendimento. Kadri disse ainda que, embora seja uma unidade de pronto atendimento, há crianças que permanecem internadas por até 72 horas, por falta de vagas nos hospitais. (Colaborou Caroline Vicentini)

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