Mauro FrassonDermeval não queria mais trabalhar, mas não teve outra alternativaO chapa Dermeval Jorge, 51 anos, confessa ter testemunhado de tudo durante os 15 anos que trabalha numa rodovia. A experiência mais dramática aconteceu há um ano e três meses: a morte por atropelamento do filho Cláudio Jorge, que tinha 28 anos. Ele havia acabado de fazer um lanche quando retornava para o seu ponto e foi atingido por um automóvel. Cláudio ficou 10 dias hospitalizado, mas não resistiu aos ferimentos no tórax e cabeça e faleceu.
A morte do filho fez Dermeval querer largar tudo. ‘‘Perdi a vontade, mas vou fazer o quê? Tenho que trabalhar’’, diz ele. Ser chapa exige nervos de aço. Dermeval afirma ter testemunhado vários acidentes nas rodovias. Os mais chocantes foram aqueles em que os motoristas permaneceram presos às ferragens dos veículos. Nestes momentos, um sentimento de impotência recai sobre ele. ‘‘Nós ficamos ali parados e não podemos fazer nada para ajudar aquelas pessoas’’, afirma Dermeval.
Mauro FrassonLaércio tem três filhos para criar e não consegue emprego formalA maior preocupação de Laércio Jobs da Silva, 35 anos, é a concretização de um boato que percorre a rodovia. A concessionária Rodonorte estaria planejando a remoção dos chapas da beira da estrada. ‘‘Estou na pista porque não tenho emprego. Tenho três filhos pra criar e se tivesse um trabalho não estaria por aqui. Eles não podem tentar tirar a gente daqui’’, diz Laércio. Ser chapa foi a única maneira e fonte de renda que encontrou. Laércio tem só a quarta série do primeiro grau. ‘‘Pelo que os empresários estão exigindo, vou me empregar aonde?’’, indaga o trabalhador. (D.V.)

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