A denúncia de um cidadão comum, que há meses vem observando um grupo de adolescentes vendendo tapetes nas ruas do Jardim Presidente (Zona Oeste), nas proximidades da Avenida Maringá, causou um pequeno tumulto ontem de manhã. O pai de um dos meninos, de apenas 12 anos, foi chamado ao local e autuado em flagrante pelo Conselho Tutelar. Ele reagiu e foram todos parar na delegacia.

A reportagem da FOLHA flagrou o menino vendendo os tapetes poucas horas antes de o pai ser autuado. Segundo o próprio adolescente, ele faz as vendas a pé, embaixo de sol, carregando o material nas costas, todos os dias, inclusive aos sábados e domingos. Cada tapete custa R$ 10 e ele 'recebe' do pai R$ 2 por cada um.

Assustado com a ação do Conselho, o menino chorou ao ser abordado e estava com medo de chamar o pai. Ele confessou à reportagem que outros cinco jovens o acompanham todos os dias na venda dos tapetes. ''Quando é sábado e domingo eu só trabalho até meio-dia. Cada vez a gente vai para um bairro diferente. Meu pai me dá R$ 4 reais para eu almoçar em algum lugar'', comentou.

O menino afirmou que o pai não tem condições de trabalhar por ''ter depressão''. ''A minha mãe também não pode porque ela tem a mão machucada. Eu acho que é melhor trabalhar do que ficar na rua'', disse.

O autônomo Daniel Gonzalez, morador do Jardim Presidente, disse que há meses observa o menino vendendo tapetes com outros adolescentes. Segundo ele, por volta das 8h30 de ontem, ele flagrou o pai do menino deixando o grupo de jovens em frente à sua casa, onde separaram as mercadorias para começar a vender. ''Eu já tinha tentado falar com ele que é errado o que ele faz, que explorar menor é crime, mas ele não deu atenção, então eu resolvi ligar para o Conselho Tutelar''. Gonzalez disse que chegou a ver o menino permanecer por mais de quatro horas esperando o pai. ''Ele estava sentado na calçada, rasgando folhas de árvore. Uma criança na idade dele deveria estar na escola ou brincando, não trabalhando'', comentou o morador.

A conselheira Edeni Ramos Vilela, que fez a autuação, explicou que segundo o artigo 60, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é ''proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz''.

O pai do menino se justificou: ''Ele é meu filho, não tem problema. É melhor ele ficar trabalhando do que não fazer nada'', comentou. Ele não respondeu as perguntas da conselheira. Até mesmo o nome completo e a data de nascimento do menino, o homem disse não saber.

O caso foi parar na delegacia. A conselheira registrou um boletim de ocorrência por desacato à autoridade e lavrou um termo que será encaminhado para a Vara da Infância e Juventude.
''Como um pai não sabe a data de nascimento do filho? O menino não está frequentando a escola, já reprovou dois anos. Vamos verificar na escola onde ele estuda como andam as faltas porque se for constatado que ele está faltando para trabalhar o pai vai ter que se explicar com o juiz'', comentou a conselheira.

Quanto aos demais adolescentes que teriam sido vistos trabalhando junto de seu filho, Oliveira disse que seriam todos maiores de idade. ''Acho que tinha algum menor, mas todos tinham autorização das mães para trabalhar'', comentou. Segundo a conselheira, o procedimento dessas mães também está errado. ''Vamos tentar verificar esses nomes para fazer o mesmo procedimento com outros pais que também estiverem permitindo esse tipo de exploração'', disse.

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