O Pronto Atendimento Infantil (PAI) de Londrina, inaugurado pela prefeitura no dia 27 de março, viveu no último final de semana mais um momento de estrangulamento no atendimento em consequência da grande procura. Nos três dias, de Sexta-feira Santa até o Domingo de Páscoa, os médicos-pediatras prestaram 1.288 consultas a crianças que, em alguns casos, vieram de cidades distantes mais de 200 quilômetros de Londrina.
No primeiro final de semana de funcionamento, o PAI também havia atendido mais de mil crianças em apenas dois dias. Isto tem gerado longa espera nas filas e constantes reclamações. Neste último final de semana, a demora na fila de espera pela consulta chegou a três horas. Ontem, a procura já havia diminuído e o atendimento voltado ao normal.
O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, credita esta grande demanda do PAI a uma série de coincidências, mas avalia que a tendência é a ‘poeira baixar’, a procura diminuir e tudo se estabilizar. ‘‘Não podemos admitir que este número de crianças procurem o PAI todos os finais de semana. Senão, onde é que elas eram atendidas antes da inauguração do PAI?’’
Arquivo FolhaO secretário Der Bedrossian: ‘não podemos admitir essa procura’Ele explica que o PAI - unidade intermediária de atenção básica à saúde entre os postos e os hospitais - tem sido mal-entendido nos seus objetivos por uma parte da população. ‘‘Ele não veio para substituir nem os postos de saúde e nem os hospitais. Ele não é um hospital, porque não interna e não atende especialidades, e nem pode ocupar o lugar dos postos dos bairros, que é onde o primeiro atendimento deve continuar sendo procurado pelas famílias com crianças doentes’’, ressalta Bedrossian.
O secretário afirma que o PAI veio para somar, para ampliar a rede de atendimento pediátrico local, mas não deve ser confundido com um hospital regional. ‘‘Cada hospital e cada posto de saúde de Londrina e das outras cidades não devem deixar de cumprir seu papel, suas responsabilidades. O PAI não pode dar conta de tudo, até porque não é este o nosso propósito.’’
Nesta primeira semana de funcionamento, o PAI atendeu cerca de 4 mil crianças, das quais apenas cerca de 40 foram encaminhadas para internamentos nos hospitais terciários da cidade. ‘‘Este índice de resolutividade, de quase 99%, é ótimo e está bastante acima de nossa expectativa. Agora, as pessoas não devem ir direto ao PAI somente porque vão encontrar lá um atendimento de boa qualidade. Ele deve funcionar como uma unidade de referência, de apoio estratégico entre os postos e os hospitais’’, comenta Agajan Der Bedrossian.
O PAI oferece atendimento pediátrico gratuito 24 horas por dia, inclusive nos feriados e finais de semana. Nele, uma equipe multidisciplinar realiza ainda quase todos os tipos de exames laboratoriais necessários ao atendimento infantil. Mas a unidade não conta com médicos especialistas e nem leitos para internações. Os casos de traumatismos, cardíacos, neurológicos, ortopédicos e outros mais complexos são encaminhados aos hospitais de plantão.Dorico da SilvaEsperaA procura pelo Pronto Atendimento Infantil aumenta nos finais de semana: em três dias foram atendidas 1.300 criançasOsmani Costa

mockup