Depois de perder a filha recém-nascida e não conseguir conversar com o médico que atendeu a esposa, o auxiliar de serviços gerais Márcio Santana, 23 anos, foi ontem à 10 Subidivisão Policial (SDP) registrar queixa contra a Maternidade Municipal de Londrina. Ele acusa o hospital de negligência.
Segundo Santana, sua esposa, Fabrícia Gomes de Melo, começou a sentir as dores na madrugada da segunda-feira. Depois de exames, o hospital orientou que Fabrícia voltasse. Ela estava na 41 semana de gestação. Quando chegaram em casa, no conjunto João Paz (Zona Norte), Fabrícia voltou a sentir dores e foi levada novamente à maternidade. Santana afirma, ainda, que a esposa já teria ido ao hospital no final do mês passado.
Depois do nascimento, através de cesariana, o bebê foi encaminhado para o Hospital Infantil, onde permaneceu internado na UTI. A criança teve uma parada cardiorrespiratória e faleceu na madrugada de ontem. Segundo a maternidade, a criança nasceu com sinais de sofrimento fetal. O quadro é causado, entre outras coisas, por problemas de oxigenação.
O pai reclama que tentou obter informações ontem sobre a causa da morte e não foi atendido. Na versão dele, o médico ''bateu a porta em sua cara e foi embora sem falar nada''. Ele também questiona se não houve atraso no atendimento da esposa.
A diretora clínica da maternidade, Rosana Hashimoto, nega que o hospital não tenha atendido o pedido de informações da família. ''Até o presente momento não houve qualquer reclamação formal desse pai'', afirma. Ela também frisa que todos os procedimentos, bem como a necessidade de internação do bebê, foram explicados para a mãe da criança.
Sobre as seguidas idas da mãe ao hospital, a médica afirma que na primeira oportunidade que a mãe procurou a maternidade, ainda na 40 semana de gestação, exames clínicos foram realizados e não havia necessidade de intervenção. O mesmo diagnóstico foi dado na segunda-feira.
''Passaram-se cerca de 12 horas e, em novos exames, o procedimento era necessário, mas é importante dizer que é normal que as mães procurem a maternidade mais de uma vez antes do parto realmente se realizar'', afirma. Segundo ela, a comissão de ética da maternidade vai avaliar o caso.

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