Lúcio Horta
De Londrina
Secretaria de Saúde vai implantar, dentro de 10 dias, cartão que restringe atendimento a pacientes de Londrina
O atendimento no Pronto Atendimento Infantil (PAI), em Londrina, foi menos tumultuado no final de semana. Apesar do movimento, o serviço não foi suspenso entre sábado e domingo. O PAI chegou a ser fechado seis vezes no espaço de 15 dias por causa da superlotação.
A situação no final de semana, no entanto, não significou tranquilidade: domingo à tarde, 15 pacientes permaneciam em observação na unidade, onde há apenas 12 leitos. E a procura, embora menor em comparação aos dias anteriores, também continuava grande.
A zeladora Marli Alves de Souza, 31 anos, precisou de pouco mais de duas horas para ver atendido o filho Alexandre Alves de Oliveira, de um mês e meio. ‘‘Ele é prematuro e estava com vômito. Agora precisa colher sangue e urina para fazer exame. Devo sair daqui só à noite’’, disse.
Já Elisa Fermino de Lima, 25 anos, não precisou esperar tanto: em dez minutos o filho Valdecir de Lima, de sete meses, foi atendido. Ele estava com disenteria e o posto do Conjunto Milton Gavetti (zona norte) não funciona no final de semana. ‘‘Essa é a segunda vez que venho aqui e desta vez foi mais rápido. Da outra vez fiquei seis horas esperando para ser atendida.
O prefeito Antonio Belinati (PFL) reagiu à suspensão do atendimento no PAI. No sábado ele declarou que o serviço só seria interrompido em caso de extrema necessidade.
O secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian, explicou ontem que o PAI não foi criado nem tem estrutura para atender casos mais graves, que exigem internação permanente, como acabou ocorrendo até a semana passada. Ao contrário: a expectativa é que cada um dos 12 leitos da unidade receba, em média, quatro crianças por dia. Cada uma delas ficaria em observação, no máximo, até seis horas.
‘‘O PAI só fechou porque (o setor de pediatria) todos os hospitais de Londrina estavam fechados e não tínhamos mais para onde encaminhar as crianças. Senão não tinha fechado’’, garantiu. ‘‘Mas não tivemos opção.’’ Ainda segundo o secretário, a partir de agora o PAI encaminhará esses casos mais graves diretamente para os hospitais de plantão. Ele acredita que somente esta medida já deverá evitar novas interrupções no atendimento.
Além disso, a implantação do cartão para pacientes que utilizam os postos de Londrina deverá diminuir a demanda e melhorar o serviço. Isso vai evitar que pacientes de outras cidades, que chegaram a representar 40% dos atendimentos, utilizem o PAI.
‘‘A pediatria é um serviço eminentemente municipal, o serviço mais básico de todas as atenções da saúde. E toda cidade tem que dar, no mínimo, esse atendimento’’, justifica o secretário. Em 10 dias o cartão começará a ser implantado.

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