Pai não concorda com aprovação do filho
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Para a maioria dos pais, saber que o filho passou de ano na escola é motivo de alívio. Esta porém não foi a sensação que teve o funcionário de hotel Marcelo José Grandi Martins, ao ser informado que o filho de 12 anos foi promovido para a série seguinte graças ao conselho de classe, dias atrás. Inconformado, escreveu carta à FOLHA expressando sua surpresa, e causou polêmica. No dia seguinte, manifestações favoráveis e contrárias à atitude do pai foram enviadas ao jornal.
O caso, porém, chamou a atenção para outra questão: até que ponto é comum crianças e adolescentes que apresentaram notas vermelhas (no caso, notas muito baixas nos três primeiros bimestres) serem promovidos ao final do ano letivo? Segundo a coordenadora da equipe de ensino do Núcleo Regional de Educação (NRE), Maria Isabel Felix, a partir da 5 série a média a ser atingida para que o aluno passe de ano é 60, considerando-se que esta nota reflete os conhecimentos mínimos necessários ao aluno.
''Mas o conselho de classe também pode aprová-lo, baseado em uma análise detalhada e considerando várias outras questões, como desempenho nos anos anteriores, dificuldades enfrentadas e possibilidade de intervenções pedagógicas no ano seguinte'', completa a educadora. Para Isabel, provavelmente este foi o caso do aluno que teve a aprovação questionada pelo pai. ''A escola deve ter considerado as chances de recuperação no futuro'', avaliou.
Isabel considerou louvável a preocupação de Martins, mas ressaltou que as famílias devem acompanhar o desempenho da criança ao longo de todo o ano, trabalhando junto com os educadores desde o início. A mesma avaliação foi feita pelo diretor do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe), Alderi Ferraresi. ''A escola é limitada em relação a algumas ações. É necessário que a família se envolva, sob o risco da instituição não conseguir resolver sozinha a deficiência.''
Ouvido pela FOLHA, Martins preferiu não identificar a escola em que o filho estuda, temendo prejudicar os professores. ''Meu grito de alerta não vale somente para a escola em que meu filho estudou, mas para todas as escolas públicas, que não dão atenção individualizada para o aluno'', justificou.
Martins contou que o filho foi reprovado na 4 série, em uma escola particular. Ao ter que colocar o garoto para estudar em escola pública, ele diz ter acreditado na qualidade do ensino gratuito. ''Eu estudei na rede pública e achei que seria possível que meu filho tivesse uma boa base. Quando ele começou a apresentar problemas me falaram que o colocariam em uma sala especial, mas isso não aconteceu.'' Segundo ele, o garoto tem transtorno de déficit de atenção.
O pai afirmou ainda que acompanhou de perto o desempenho do filho durante todo o ano. ''Cheguei a ler um livro sobre o problema que ele tem, procurei um médico, coloquei-o nos escoteiros, acompanhava de perto as tarefas. Tanto que no final do ano ele melhorou'', disse. Martins afirmou que não quer que seu filho passe de ano simplesmente, mas que seja aprovado.
Na sua avaliação, os professores das escolas públicas ''estão abandonados'', não têm respaldo para reprovar um aluno. ''Os alunos, por sua vez, já sabem que mesmo com nota ruim vão ser aprovados. Minha preocupação é com o futuro destes jovens. Não estamos formando cidadãos, os jovens que estão saindo destas escolas não têm discernimento, senso crítico. A situação é muito grave. Sinto que meu filho daqui uns anos vai continuar escrevendo errado, não vai ser capaz sequer de escrever uma redação.''


