Pai já foi ameaçado de morte por tentar livrar os dois filhos do tóxico
Pai já foi ameaçado de
morte por tentar livrar
os dois filhos do tóxico
Josoé de CarvalhoDrama familiarJosé, pai de adolescentes viciados em maconha e cocaína: A dor maior é ver o filho morrendo aos poucosA dor maior dos pais é ver o filho morrendo aos poucos. É o sentimento mais deprimente. A declaração é de José, comerciante, pai de dois filhos adolescentes viciados em maconha e cocaína. O nome é fictício, mas a história dele é verdadeira e reflete o drama vivido por quem enfrenta o problema das drogas dentro de casa. Desde o primeiro momento enfrentei o problema sem medo, de frente. Tentei apurar o foco de influências e fui ameaçado de morte duas vezes. Hoje só penso em salvar meus filhos desse inferno, diz José, ao afirmar que não tem nada a esconder, nem razão para se envergonhar. Ele autorizou a reportagem a usar seu nome verdadeiro. Mas a Folha está usando pseudônimo para preservar a identificação dos filhos.
Os filhos de José, um rapaz de 19 anos e uma moça de 16, tiveram contato com a droga no colégio - escola próxima da área central de Londrina - respectivamente aos 16 e 14 anos. Começaram com a maconha, mas chegaram a usar cocaína. O filho mais velho está internado em uma clínica de tratamento, em São Paulo. A filha menor está com a mãe, em Curitiba, tentando uma internação. Além de todos os problemas emocionais, os pais de filhos usuários de drogas enfrentam mais um: o preço do tratamento, mesmo neste caso, em que o pai é comerciante e a mãe, profissional liberal. Quando não falta vaga, os custos são proibitivos, diz José.
A descoberta de que os filhos estavam envolvidos com drogas foi um choque. José relata: Você fica transtornado, o chão foge dos pés. A sensação é de que o mundo acabou. Mas é necessário reagir, colocar primeiramente a sua cabeça no lugar para depois tentar colocar a dos filhos.
A angústia não atinge somente os pais. Toda a família fica traumatizada. É uma sensação horrível, que atinge toda a família, avós, tios, primos. Ele revela outra desagradável sensação: a falta de apoio e auxílio. Só Deus pode ajudar. Numa situação dessas, os pais precisam ter fé e pedir a Deus que lhes dê força, diz o comerciante.
Há alternativas, como o grupo Amor Exigente, formado por psicólogos, religiosos e pais de filhos usuários de drogas e álcool. Eles se reúnem todas as quartas-feiras, das 20 às 22 horas, na Igreja Sagrados Corações, na esquina da Rua Mato Grosso com a Avenida Juscelino Kubitschek. Este foi o único apoio que encontramos. Infelizmente, as escolas não estão preparadas para enfrentar o problema. Professores não são orientados. As escolas não contam com trabalho de especialistas, como psicólogos. Há até preconceito, conta José.
Na opinião dele, os maus exemplos vêm de cima. Há deputado que propõe a descriminação da maconha, o que entendo ser um risco, porque incentivaria o uso até de drogas mais danosas. Mais do que isso: chegamos a ter um presidente da República viciado.
(Áureo Nogueira)





