PAI interrompe atendimento pela 6ª vez
Érika Pelegrino
De Londrina
Pela sexta vez em 15 dias o Pronto Atendimento Infantil (PAI) teve que fechar as portas ontem, no começo da tarde. Segundo o diretor-clínico da unidade, Jonilson Favareto, por volta das 13h30 uma criança com insuficência respiratória, quase morrendo, deu entrada no PAI, que já estava superlotado, e mobilizou a equipe médica, obrigando a interrupção do atendimento aos pacientes que chegavam.
Das 14h30 às 15h30 os pais que chegavam buscando atendimento para seus filhos tiveram que voltar para casa. Os pacientes que já estavam dentro da unidade sabiam que teriam que esperar por horas até serem atendidos. Faz só meia hora que estamos aqui, mas já fomos informadas que vai demorar umas quatro horas para sermos atendidas, afirmou Paulina Paes Camargo, 71 anos, que acompanhava a neta Fernanda, de 6 anos, com febre.
A unidade que tem três pediatras, 11 auxiliares de enfermagem e 2 enfermeiras por turno, estava excepcionalmente atendendo com dois pediatras. Uma médica estava doente. Das 23 horas de quinta-feira até a manhã de ontem, os pacientes também passaram por situação semelhante quando a unidade também fechou as portas pelo mesmo motivo: superlotação. Na ocasião o quadro de funcionários estava completo, de acordo com Favareto.
Durante a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta-feira, de acordo com o diretor-clínico, 24 crianças estavam em observação na unidade. O Centro de Observação, com capacidade para 12 pacientes, estava lotado e a sala de emergências e os consultórios foram utilizados para atender as crianças.
Favareto explicou que as interrupções de atendimento são necessárias em casos de superlotação por questões técnicas e éticas. A equipe médica tem que se mobilizar para atender as crianças que já estão aqui (no PAI). Não há condições técnicas de atender a todos e nem condições éticas, pois corre-se o risco de cometer erros, explicou.
A grande causa da superlotação, de acordo com o diretor-clínico, é a dificuldade de conseguir vagas em hospitais terciários para pacientes que necessitam de internação. O PAI é um serviço intermediário entre os postos de saúde e os hospitais terciários. Como não conseguimos vagas para internação acabamos desempenhando uma função que não é nossa.
Ontem, três pacientes estavam internados no PAI: dois com pneumonia e um com meningite. Essas crianças estão internadas na unidade há dois dias, desde quarta-feira.
O diretor-clínico apontou mais duas causas para a superlotação da unidade: sazonalidade - no inverno a demanda é maior devido à grande incidência de doenças respiratórias - e a procura de pacientes da região - 20% a 30% dos atendimentos são de crianças que moram em cidades da região. O PAI foi planejado para atender Londrina. Estas pessoas têm que pressionar a sua cidade para oferecer atendimento, afirmou.
Daiane dos Santos Arantes, 16 anos, que é de Londrina, foi embora ontem sem receber atendimento. Ela chegou ao PAI às 13h30 com a filha Emily de dois meses, que apresentava febre, diarréia e vômito. Depois de quatro horas desistiu de esperar e foi embora. Vou levá-la ao HU, disse. O eletricista Sidiene José de Souza, 47 anos, que acompanhava a sobrinha Daiane, desabafou: Isto aí (a unidade) não é pai das crianças não.
Para buscar uma solução para o problema enfrentado pelo PAI, Favareto afirmou que será organizado um debate junto à sociedade e todas as estruturas de saúde do município.Superlotação obrigou direção clínica do Pronto Atendimento Infantil a fechar as portas pela sexta vez em apenas 15 dias
César AugustoSUPERLOTADOFuncionário do Pronto Atendimento Infantil (PAI) na portaria da unidade (acima), onde aviso justifica interrupção de atendimento por causa de superlotação; ao lado, mães com crianças no colo aguardam retorno do atendimento





