Pai força filho a se entregar à polícia
SEQÜESTRO DE MENINA
Pai força filho a se entregar à polícia
O operador de produção, Ronaldo José Silva Macedo, 19 anos, foi forçado pelo próprio pai, Geraldo Lopes de Macedo, a se apresentar ontem no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). O jovem confessou ter participado do sequestro da menina Maria Angélica Kanap, de 2 anos, ocorrido na segunda-feira da semana passada, em Curitiba, e apresentou a arma que usou no crime, uma Bereta calibre 6.35. Descontente com a atitute do filho, Geraldo localizou e acompanhou Ronaldo ao depoimento.
Segundo o superintendente do Sicride, Renato Ferreira, Ronaldo é amigo do marceneiro Márcio Tote da Silva, que é pai biológico da criança e planejou o crime 20 dias antes de executá-lo. Também participaram do sequestro a mulher de Márcio e mãe biológica da criança, a dona de casa Nilza Aparecida Bueno, 18 anos, e outros dois homens ainda foragidos. Um deles é Valdecir Félix, dono do carro usado no sequestro. O outro, foi identificado apenas por Eduardo. O pai deste, segundo Ferreira, ligou ontem ao Sicride e afirmou que também apresentará o filho, forçado se for preciso.
Maria Angélica havia sido adotada ilegalmente pelo contador Reinaldo Kanap e sua mulher, Marisa, há um ano e oito meses, quando tinha quatro meses. O casal registrou o bebê em seu nome e passou a criá-lo como filho. Nilza, então, apresentou-se como a mãe da criança e passou a visitá-la, com a permissão dos Kanap. Márcio, porém, queria a menina de volta e planejou o sequestro.
A criança foi encontrada na quarta-feira passada num barraco, localizado em um área de invasão, nas proximidades do bairro Uberaba. Maria estava com Nilza Aparecida, que foi presa em flagrante. A mãe biológica irá responder processo por sequestro, cárcere privado e formação de quadrilha. O marido e os três comparsas respondem por estes crimes e também por porte ilegal de arma.
No Sicride, Nilza apresentou um registro de nascimento feito quatro dias depois do nascimento da menina. O documento revela que o registro feito pela família Kanap, em 28 de novembro de 1997, é falso. Por conta disso, o delegado do Sicride, Harry Herbert, estuda a possibilidade de processar os Kanap por falso registro, artigo 242 do Código Penal, cuja pena é de dois a quatro anos de reclusão.(J.A.)





