Pai, filha e sobrinha são enterrados
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sábado, 12 de abril de 2008
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Parentes e amigos se reuniram na manhã de ontem, no salão da Igreja Católica do Patrimônio Selva, Zona Sul de Londrina, para velar os corpos do pedreiro Pedro Cavalcante de Holanda, 53 anos, da filha dele, a dona de casa Rosimar Martineli de Holanda, 30, e da sobrinha dele, Ana Cláudia Miranda Martineli, 13, vítimas do acidente que deixou outros quatro feridos, entre eles a esposa e um sobrinho de Pedro.
Por volta das 18 horas de anteontem, a família seguia para casa pela PR-445, mas a poucos metros do trevo de acesso ao bairro, o carro foi atingido por um caminhão carregado com ossos de animais que trafegava em sentido oposto. O veículo teria tentado desviar de uma carroça. O Fiat de Pedro ficou prensado entre o caminhão e a mureta de proteção da ponte do Ribeirão Três Bocas/Cafezal. O condutor do caminhão não se feriu e foi retirado do local por medidas de segurança.
Sobrinha de Pedro, a auxiliar geral Valdelice Trindade da Silva contou que o tio costumava vir para Londrina diariamente para trabalhar. Anteontem, a esposa dele, uma das filhas e dois sobrinhos estavam no Centro da cidade e aproveitaram a carona para voltar para casa.
Meu tio era uma pessoa alegre, gostava de jogar bola e trabalhar. A Rose era festeira e bem resolvida, o tipo de pessoa que corria atrás de tudo para todo mundo, rememorou Valdelice. Segundo ela, a prima deixou dois filhos pequenos, de oito e dois anos. No velório, o marido de Rosimar estava bastante abalado e preferiu não comentar sobre o acidente.
Ainda conforme Valdelice, Pedro teria buscado a sobrinha Ana Cláudia num ponto de ônibus, onde ela esperava para voltar para casa. Ela cursava a oitava série e faria aniversário em maio. Ela costumava ajudar nas missas. Era só uma menina, disse Valdelice, ressaltando que as três famílias viviam há mais de 20 anos no bairro, uma ao lado da outra.
Pedro deixou outras duas filhas que ontem pela manhã visitaram a mãe, Lucimar Martineli de Holanda, 45, no Hospital Evangélico, onde ela se recupera de uma fratura no quadril. Com a ajuda de uma tia, elas contariam sobre a morte do marido e da filha.
Segundo o vigilante Antônio Carlos Gomes, tio do marido de Rosimar, nunca houve uma tragédia tão grande como a que acometeu a família da sobrinha. Já vi outro acidente com um cavalo que atravessou a pista em frente à pedreira, mas nada tão feio. Acho que deveria ser aprovada uma lei para acabar com o tráfego de animais no asfalto, sugeriu Gomes, que mora há 55 anos no Patrimônio Selva e foi vizinho de Pedro a vida toda. Éramos como parentes, sinto muito a perda deles. Eram pessoas muito boas.
Os dois ocupantes da carroça, Gilson Gonçalves da Silva, 36, e o filho dele, Silvino Gonçalves da Silva Neto, 11, ficaram presos sob a carroceria do caminhão. Pai e filho sofreram ferimentos médios e seguiram para o Hospital Universitário. Ambos passam bem. O sobrinho de Pedro, Marcos da Cruz, 35, foi encaminhado à Santa Casa. Ele sofreu traumatismo craniano leve e permanece internado em observação. Pai, filha e sobrinha foram enterradas ontem, às 17h, no Cemitério Jardim da Saudade.


