O andarilho João Maria Prestes do Santos, de 36 anos, encheu a frente do Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente de Campo Mourão com cartazes improvisados feitos em papelões contendo uma mensagem direta: ‘‘Quero meu filho’’.
O protesto começou anteontem à noite, no centro da cidade, e prosseguiu ontem. Santos dormiu no local e promete ficar por lá até que seu filho, William, de 8 anos, lhe seja devolvido.
A história do andarilho, que tem família em Cascavel mas estava vindo de Itajaí (SC), começou no dia 14 de maio. Ele já estava dormindo com o filho, no Albergue Noturno José do Patrocínio, em Campo Mourão, quando foi surpreendido com a chegada do Conselho Tutelar.
O órgão havia recebido denúncias de que o menino vivia em situação de risco e o levou para o Lar do Menor Dom Bosco, uma instituição da cidade.
‘‘Já perdi uma filha e não vou peder outro filho’’, diz Santos, chorando. ‘‘Estou cansado de sofrer’’. Ele conta que a mãe do menino, com quem viveu durante oito anos, doou uma filha sem que ele ficasse sabendo.
O próprio Santos se diz um ‘‘aventureiro’’ e admite que não gosta de ficar parado numa cidade. Ele afirma que anda com o filho há dois anos e que nunca teve problemas. ‘‘Minha casa é melhor que a de muita gente por a풒, diz, referindo-se à rua.
Santos também reclama que não pode ver o filho e que desde que ele foi levado para o abrigo só o viu uma vez. A presidente do Conselho Tutelar, Marisa Eliete do Nascimento, diz que as visitas podem ser feitas no último domingo de cada mês, mas que o órgão já tinha aberto uma exceção para o caso de Santos.
Ela confirma que William foi retirado do pai porque vivia em situação de risco. A denúncia chegou ao Conselho através de telefonemas anônimos.
Escola ‘‘É notório que existe uma grande afetividade de pai e filho entre Santos e o menino, mas não poderíamos deixar a criança na rua’’, conta Marisa. Ela diz que pediu ajuda à prefeitura e que chegou a arrumar um emprego para Santos através do Sindicato dos Ensacadores, mas ele não quis o trabalho.
Ontem, quando o caso ganhou repercussão devido ao protesto, surgiram ofertas de emprego e até de moradia para o andarilho.
O promotor da Vara da Família, Infância e Adolescência, Mauro Sérgio Rocha, explica que se o pai tiver uma moradia para dar à criança não há motivo para que ela continue abrigada. ‘‘O menino foi abrigado até que se verifique suas condições de vida’’, diz.
O promotor lembra que William já deveria estar estudando, mas ele nunca foi à escola. ‘‘Ele estava na rua, mendigando, passando frio, fome e sem ter um lugar para dormir’’.
De acordo com Rocha, a promessa de emprego e moradia para Santos pode pôr fim facilmente à separação de pai e filho. ‘‘É incontestável o amor do pai pelo filho. O que não pode é a criança ficar na rua mendigando’’, diz.
O promotor disse ainda que ficou satisfeito de ver as pessoas se sensibilizando com o caso de Santos. ‘‘Só que diariamente existem casos semelhantes e porque não há protestos ninguém se sensibiliza’’.

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