Embora comum no ambiente mais humilde, a violência contra a criança está longe de ser um fenômeno distante da classe média ou da elite. Prova de que crueldade independe de condição social foi o assassinato da menina Taciane de Paula Trevisan, de três anos, no dia 28 de agosto de 1984, em Curitiba. O pai, Renato Rodrigues Trevisan, espancou-a até a morte e depois viajou para Antonina, no Litoral, onde se desfez do corpo.
Trevisan chegou a pisotear a criança antes que ela morresse. Enquanto a espancava, ele manteve a mulher, Lúcia Helena, e a filha mais nova, Camile, presas no quarto. Taciane suspirou pela última vez no colo da mãe. O pai, embriagado, colocou o corpo numa sacola e tomou um táxi com a família rumo ao Litoral. Depois de se hospedar em um hotel de Antonina, o casal encheu a sacola de pedras e, de um trapiche, atirou o corpo ao mar.
A prisão de Trevisan e Lúcia só foi possível porque ela telefonou para Curitiba e pediu ajuda ao advogado Walter Amaral. O porteiro do hotel em que estavam hospedados, Domingos Dias Pereira, ouviu o relato da mulher e chamou a polícia, que prendeu o casal à noite. Resgatado no dia seguinte, o corpo de Taciane estava a três metros de profundidade. O pai foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A mãe, por co-autoria nos dois crimes.
Na Justiça, Trevisan chegou a dizer que havia dado apenas algumas palmadas na menina, que teria caído no chão e batido a cabeça. Na época, ele estaria nervoso por conta do processo de herança de sua mãe. O casal foi condenado, cumpriu pena e hoje está em liberdade. (D.J.)

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