Pai em tempo integral
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 2008
Marian Trigueiros<br>Especial para a FOLHA 
Em pleno século 21, ainda é comum presenciarmos mulheres abrindo mão de suas carreiras, sacrificando de alguma forma suas vontades para cuidar dos filhos e da casa. O que não estamos acostumados é ver homens tomando a frente dessa situação. Por mais que os tempos tenham mudado e que os pais de hoje sejam mais presentes e participativos, a imagem do homem ainda é vinculada à figura tradicional de chefe e provedor da família.
No entanto, alguns homens interessados em compartilhar o crescimento e o cotidiano dos filhos vêm se dedicando ativamente no cuidado dos rebentos, considerando essa tarefa tão importante quanto a profissional. E hoje, já temos mais pais assumindo, ou no mínimo, ajudando nas atividades da casa, e até mesmo na educação das crianças. A reportagem da FOLHA foi atrás desses homens e encontrou três realidades diferentes, mas com alguma coisa em comum: a mudança de suas vidas em função de seus filhos. A frase popular ''Não basta ser pai, tem que participar'' ilustra perfeitamente a história desses homens.
É o caso de Paulo Henrique de Souza, que não pensou duas vezes em largar o emprego para poder ficar mais perto de seu filho, Pedro Henryque, hoje com um ano e meio. ''Trabalhava durante o dia, e, há seis anos, à noite também. Meu corpo não aguentava mais. Quando meu filho nasceu, não tive dúvidas em mudar de emprego'', conta ele, que deixou a profissão de barman para se tornar caseiro na mesma casa onde a esposa trabalha. ''Meus patrões sempre incentivaram que trouxéssemos o bebê junto com a gente. É uma espécie de terapia; além de ficar o dia todo com meu filho, trabalho com o que gosto que é jardinagem'', comenta.
Souza diz que foi a melhor decisão que já tomou. ''Tenho uma filha de nove anos, mas quando me separei da mãe dela, ela tinha apenas dois. Com o Pedro Henryque quero fazer diferente, quero estar presente em todos os momentos, vendo-o crescer, aprendendo a falar''. E para quem pensa que Souza só fica perto do filho, está enganado, ele ajuda em todas as tarefas. ''Dou banho, troco fralda, faço papinha, mamadeira, coloco para dormir, enfim, tudo o que precisar'', detalha.
Para Souza, mais importante que estar com seu filho é a atenção que pode dar em tempo integral. ''Acredito que a proximidade com os pais auxilia no aprendizado da criança. É um incentivo para estabelecer uma família saudável.''
Com o mesmo nome e outra história, Paulo César Marinho Lopes, consultor de vendas, também assume com afinco a responsabilidade de cuidar de seu filho, Artur, de três anos. ''Minha esposa trabalha para uma distribuidora de medicamentos e dá palestras em vários estados. Chega a ficar mais de uma semana fora. Por isso, quando ela está ausente, cuido da casa e do meu filho.''.
Durante o dia, o menino fica em uma escolinha, mas à noite Lopes tem que resgatar as energias e cair no batente de novo. ''Faço tudo o que diz respeito ao meu filho, desde os afazeres domésticos, como banho e comida, até contar histórias pra ele dormir.'' O menino é muito apegado ao pai e dorme junto com ele quando a mãe viaja. ''Sinto que ela fica com um pouco de ciúme por sermos tão apegados, mas é impossível ser diferente'', brinca.
Segundo Lopes, tudo é planejado em função do filho. ''Quando a empresa na qual trabalho ia mudar de sede, me esforcei para encontrar uma casa que ficasse próxima à escola dele. Como meu trabalho é flexível, quando tenho um tempinho, dou uma olhadinha nele'', diz.
E o papai não se cansa de dizer: ''Faço tudo por ele, é o pedaço mais importante de mim. Se pudesse parar de trabalhar para cuidar dele, eu faria. Tudo para poder ficar mais perto''.


