O livro didático ‘‘Brasil - uma história em construção’’, usado em escolas públicas do Estado, está sendo acusado de incentivar o racismo. A acusação é do mecânico José Irineu Lídio e já motivou até uma representação no Fórum de Campo Mourão. Lídio contou a seu advogado, José Luiz Gurgel, que o filho, Drumont, sofreu constrangimento com a leitura do capítulo nove do livro, que fala sobre a escravidão e o preconceito racial no País.
O problema todo está nas páginas 80 e 81, onde publicação traz exemplos de preconceito na cultura brasileira. Os exemplos foram tirados de outro livro, ‘‘O negro no mundo dos brancos’’, escrito em 1965 pelo sociólogo Florestan Fernandes. Entre os exemplos, estão versinhos, quadrinhas e provérbios que denigrem a imagem do negro. Um dos provérbios diz: ‘‘Negro quando se chama, resmunga; se resmunga, leva pau’’ (veja mais exemplos abaixo).
‘‘A intenção do autor pode ter sido boa, mas está havendo constrangimento dos alunos negros’’, diz Gurgel. Segundo ele, os meninos brancos decoram os versos e os recitam nos intervalos, fazendo chacotas em torno dos negros e colocando-os em posição de inferioridade’’. O advogado diz ainda que o livro, usado na quinta série, está desmotivando os estudantes negros a irem na aula para evitar humilhações e também prejudicando o aprendizado deles.
O livro ‘‘Brasil - uma história em construção’’ - é distribuído gratuitamente pela Secretaria Estadual da Educação para escolas públicas do Paraná. A diretora do Colégio Unidade Pólo, onde surgiu a denúncia, Maria de Lourdes Maia Polizer, disse que já mandou recolher o livro dos alunos. A publicação, no entanto, é usada por várias outras escolas da cidade e também do Estado.

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