Pai diz que livro incentiva racismo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
O livro didático Brasil - uma história em construção, usado em escolas públicas do Estado, está sendo acusado de incentivar o racismo. A acusação é do mecânico José Irineu Lídio e já motivou até uma representação no Fórum de Campo Mourão. Lídio contou a seu advogado, José Luiz Gurgel, que o filho, Drumont, sofreu constrangimento com a leitura do capítulo nove do livro, que fala sobre a escravidão e o preconceito racial no País.
O problema todo está nas páginas 80 e 81, onde publicação traz exemplos de preconceito na cultura brasileira. Os exemplos foram tirados de outro livro, O negro no mundo dos brancos, escrito em 1965 pelo sociólogo Florestan Fernandes. Entre os exemplos, estão versinhos, quadrinhas e provérbios que denigrem a imagem do negro. Um dos provérbios diz: Negro quando se chama, resmunga; se resmunga, leva pau (veja mais exemplos abaixo).
A intenção do autor pode ter sido boa, mas está havendo constrangimento dos alunos negros, diz Gurgel. Segundo ele, os meninos brancos decoram os versos e os recitam nos intervalos, fazendo chacotas em torno dos negros e colocando-os em posição de inferioridade. O advogado diz ainda que o livro, usado na quinta série, está desmotivando os estudantes negros a irem na aula para evitar humilhações e também prejudicando o aprendizado deles.
O livro Brasil - uma história em construção - é distribuído gratuitamente pela Secretaria Estadual da Educação para escolas públicas do Paraná. A diretora do Colégio Unidade Pólo, onde surgiu a denúncia, Maria de Lourdes Maia Polizer, disse que já mandou recolher o livro dos alunos. A publicação, no entanto, é usada por várias outras escolas da cidade e também do Estado.


