Pai degola uma filha e fere outra
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quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Giovani Ferreira 
Ponta Grossa
Depois de discutir com a esposa, o trabalhador rural José Lourival Alves, com idade entre 35 e 40 anos, matou uma filha, deixou outra gravemente ferida e em seguida tentou suicidar-se. A tragédia aconteceu no início da madrugada de ontem, na chácara Pequena Holanda, município de Carambeí, distante 15 quilômetros de Ponta Grossa.
De acordo com os policiais que atenderam a ocorrência, Lourival Alves usou uma faca de açougueiro para degolar a filha Angelina Alves, de quatro anos - que teve morte instantânea -, e ferir a filha mais velha, Jéssica Alves, de cinco anos, com vários golpes no pescoço. Na manhã de ontem, Jéssica foi submetida a uma cirurgia no Hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa, mas ainda não está fora de perigo.
Ao tentar conter a fúria de Alves contra as filhas, a mulher dele, Marlene Custódio Alves, também foi ferida. Ela teve um corte profundo em uma das mãos, sendo atingida, provavelmente, quando tentava tomar a faca do marido. Em seguida, utilizando-se da mesma faca, Alves tentou o suicídio, mas conseguiu apenas fazer um corte no pescoço, sem muita gravidade. Ele foi operado na Santa Casa de Ponta Grossa e não corre risco de vida.
Gerdina Dykstra, esposa de João Dykstra, proprietário da chácara onde José Lourival morava e trabalhava com sua família, disse que o homicida poderia estar alcoolizado quando cometeu o crime. Ex-alcoólatra, Lourival teria voltado a beber no último final de semana, em uma festa de rodeio em Carambeí, que aconteceu perto da chácara Pequena Holanda.
Apesar dos indícios de que José Lourival estivesse alcoolizado, Gerdina disse que ele não tinha motivo aparente para querer matar toda a família. Ele sempre foi um pai atencioso e um grande trabalhador, disse Gerdina. Lourival trabalha na chácara Pequena Holanda há mais de 12 anos. Para parar de beber, ele chegou a frequentar os Alcóolicos Anônimos.
O cabo da Polícia Militar Marcelo Baumann, que atendeu a ocorrência, classificou o crime de brutal e hediondo. A cena do crime e os ferimentos causados nas vítimas deixaram os policiais e os demais moradores da chácara horrorizados. Segundo o cabo Baumann, testemunhas teriam dito que a ação de Lourival pode ter sido premeditada.
Marlene passou o dia de ontem em estado de choque e deve ser ouvida pela polícia hoje ou amanhã. Na manhã de hoje ela acompanha o sepultamento da filha, que acontece em Curitiba.


