Pai de vítima tenta recuperar corpo
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha 
UMUARAMA - O agricultor Noboru Fujiharu, 58 anos, disse ontem que vai recorrer primeiro aos outros filhos que moram no Japão para conseguir trazer de volta ao Brasil o corpo da filha Masayo Fujiharu, 29 anos, encontrada morta a facadas perto do companheiro dela, Carlos Alberto Osako, 30 anos, no sábado. Os corpos foram encontrados no abismo de uma estrada próxima da cidade de Fukui, região central do país. Se não for possível trazer, vou ver se apelo às autoridades de lá, disse.
Desde domingo, Noboru e a mulher, que moram no distrito de Serra dos Dourados, em Umuarama, não tiveram mais notícias sobre a filha assassinada. Eles têm outros três filhos trabalhando no Japão, mas nenhum deles tem telefonado para os pais. Acredito que a polícia japonesa esteja querendo manter um certo sigilo para apurar melhor o crime, disse Noboru. Ele espera receber pelo menos as cinzas da filha. Os corpos continuam no Instituto Médico-Legal de Fukui e não podem ser vistos por parentes.
Masayo costumava ligar até três vezes ao mês para a família, mas os contatos, segundo Noboru, foram interrompidos há quase dois meses. Ela sempre me ligava pedindo para eu ir para o Japão. Na última vez que telefonou disse apenas para eu não ir mais, revelou Noboru. Ele disse ontem à Folha que a filha, conhecida como Márcia em Umuarama e entre os brasileiros no Japão, pode ter sido morta por sua bondade. Ela sempre gostava de ajudar as pessoas.
De acordo com o jornal Tudo Bem, destinado à comunidade dekassegui do Brasil no Japão, um lojista brasileiro que vive naquele país afirmou que o casal vinha reclamando de ameaças de morte nas últimas semanas. As ameaças partiriam de dentro da empreiteira onde trabalhavam. Havia uma insatisfação dos empresários japoneses com os doi porque convidavam as pessoas a saírem da empresa.
Carlos Alberto Osako estava no Japão há cinco anos e neste período mudou de empreiteira três vezes. Nas duas últimas teria manifestado interesse de formar sindicato.
Antes de ir para o Japão Masayo trabalhava no escritório de uma cerealista em Serra dos Dourados. Era considerada pelos amigos como inteligente e dedicada. A jovem foi encontrada morta com facadas no peito e nas costas dentro de uma mala de viagem. Osako foi encontrado primeiro, seis horas antes, envolto em cobertores e preso a uma fita adesiva.
Ontem Noboru conversou pela primeira vez, por telefone, com a família de Osako, em Ponta Porã (MS). As famílias, até então, nunca mantiveram contato. Eles também estão abalados e dizem que não sabem de nada. Masayo e Osako teriam se conhecido há um ano e pretendiam casar em breve. Nos últimos meses, de acordo com o que a família apurou, Masayo estava desempregada vendia pastéis em uma perua junto com o companheiro.


