Pai de vítima de leucemia culpa Previdência e HC pela morte
Osmani Costa
De Londrina
Foi carregada de emoção a despedida de centenas de amigos e familiares ao vendedor autônomo Edeílson Fernandes, 32 anos, na tarde de ontem. Ele havia falecido anteontem em Curitiba, vítima de leucemia mielóide crônica, e seu corpo foi sepultado no Cemitério Municipal Padre Anchieta, na zona leste de Londrina.
Durante o velório, o pai de Edeílson, o funcionário público federal aposentado José Fernandes, 62 anos, fez duras críticas ao Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) e ao Hospital das Clínicas (HC) de Curitiba, pela demora nos procedimentos que possibilitariam o transplante de medula óssea, única esperança de vida que seu filho tinha desde que descobriu ser portador de leucemia há cerca de seis meses.
Meu filho morreu vítima da burocracia e da máfia em que se transformou a saúde pública do país. Edeílson morreu porque não tivemos dinheiro suficiente para pagar o transplante de medula. Isto é um absurdo, é inadmissível, afirmou José Fernandes. Segundo ele, o HC exigiu o pagamento integral de R$ 100 mil, para que pudesse trazer da Suécia a medula óssea compatível para o transplante em Edeílson.
Chorando muito, o pai da vendedor morto contou que propôs ao hospital de Curitiba parcelar o pagamento. Eu disse que deixaria com o hospital cheques pré-datados, para o pagamento em breve. Mas o funcionário do HC não aceitou; falou que lá não tem influência política nem do governador. Que fazem a captação e transplante da medula depois do depósito integral. Meu filho estava muito fraco não aguentou esperar a gente juntar o dinheiro necessário.
De acordo com José Fernandes, a campanha realizada pela família e amigos para angariar os recursos para o transplante através de bingos, doações por telefone e outras promoções havia conseguido cerca de R$ 50 mil. Uma outra parte, que não sei exatamente de quanto, seria paga pela Previdência. Mas a burocracia do governo demorou demais. Ontem (anteontem), recebi a notícia de que o INSS acatou nosso pedido e daria início ao processo para a liberação da verba. Por telefone, respondi que não precisava mais, meu filho já estava morto. Paguei a Previdência durante 35 anos, e agora tenho este desprezo e a morte de meu filho como recompensas, criticou o aposentado.
A Folha fez contato com o HC de Curitiba ontem à tarde. Mas o administrador do setor de transplantes de medula óssea, Almir Nicolete, único que poderia falar sobre o assunto, não estava trabalhando.





