Pai-de-santo é julgado pela morte dos filhos
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de novembro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O pai-de-santo Osni Noronha, acusado de triplo homicídio qualificado, foi levado ontem ao Tribunal do Júri de Curitiba pela segunda vez. Na primeira vez em que sentou na cadeira dos réus, em 27 de setembro de 2002, Noronha foi condenado a 54,8 anos de prisão. Como a pena é acima de 20 anos, ele teve direito a um novo julgamento. Noronha foi condenado pelo assassinato dos filhos Lucas Raziel, de 4 anos, e Maria Clara, de 2 anos, e de Fernando Pilatti, irmã de Carla, com quem manteve relacionamento extra-conjugal durante oito anos.
Ele também teria tentado matar a mãe de Carla, Elone Maria Walter. O julgamento não havia terminado até o fechamento da edição e a previsão era que a decisão só sairia de madrugada. Noronha já está preso há seis anos.
O crime aconteceu no dia 16 de dezembro de 1998. Segundo os autos, Noronha e Carla tinham rompido a relação amorosa há sete meses e Carla estava preparando a documentação para pedir pensão alimentícia para os filhos na Justiça. No dia do crime, Noronha teria ido discutir a guarda das crianças com Carla, na casa onde ela morava, no Jardim Vergínia. Lá, ele teria se desentendido com Elone, que seria contra o relacionamento dos dois.
Ontem de manhã, bastante nervoso e chorando muito, Noronha afirmou que Elone sempre foi contra o relacionamento porque era amante dele antes da filha. ''Ela vinha pra cima de mim. Por isso é que ela nunca deixou em me aproximar muito da Carla. Eu amava a Carla. Mas nunca pude nem dormir na casa dela, porque tinha medo de amanhecer morto'', relatou o pai-de-santo. Segundo a versão sustentada e defendida pelo Ministério Público (MP) estadual, Noronha teria planejado o crime em detalhes. Ele já teria chegado disparando tiros contra Elone, que foi atingida de raspão na orelha. Segundo o MP, o pai-de-santo não estava conformado com a separação.
''Foi ele quem entrou na casa, deu um tiro de raspão na boca da sogra, outro na barriga do cunhado, se virou e deu tiros nas crianças. Não satisfeito atirou de novo na sogra e arrancou um pedaço da orelha dela. Ele fez tudo isso friamente, de caso pensado'', argumentou o assistente de acusação, Beno Fraga Brandão. O advogado de Noronha, Matheus Gabriel Rodrigues de Almeida, argumenta que o pai-de-santo teria sido atraído até a casa de Carla para ser assassinado, numa suposta emboscada planejada por Elone. O objetivo seria garantir uma herança razoável para a filha e para os netos, já que Noronha era também empresário e tinha várias propriedades residenciais e comerciais.
O julgamento foi acompanhado por dezenas de fiéis e familiares. Carla também acompanhou o julgamento, mas evitou falar com a imprensa. Apenas reafirmou que foi Noronha quem matou seus filhos.


