Elas são delicadas, amorosas, gastadeiras e intempestivas, se contrariadas, e eles são incondicionalmente apaixonados por elas. Diz o ditado que a menina gosta mais do pai e que, com ela, ele pode explorar seu lado mais carinhoso: a verdade é que ser pai de menina pode ser uma experiência surpreendente para o rapaz que se deixar seduzir pela dependência independente de uma garotinha charmosa que é a sua cara.
Na casa do jornalista e piloto Beto Borghesi, 51 anos, o quarteto feminino comanda: com a esposa Herta, 46, ele teve Roberta, 28, Nicole, 25, e Monique, 21. A mais nova e a mais velha ainda vivem com os pais e a do meio, já casada, acaba de dar à luz ao menino mais esperado da família: Gabriel. ''Adoro ser pai de menina e se tivesse que escolher, teria as três meninas de novo.''
Ele se diz um pai liberal, ''até certo ponto'', e crê que meninas são mais carinhosas com os pais que meninos, especialmente na velhice. ''Nossa relação é tranquila, até as deixo à vontade para viajar com os namorados. Mas em casa eles não dormem, ainda não me sinto tão moderno'', confessa.
''As confidências são com a mãe, mas elas também me pedem conselhos'', descreve Borghesi, que até celebra o fato de as meninas não compartilharem a sua paixão pelo automobilismo. Ele até apostou no vôlei e no tênis para incentivar o gosto pelo esporte nas filhas, sem sucesso. Então viu no trabalho um modo de passar mais tempo com as garotas. ''Eu e a Roberta, que é formada em marketing, trabalhamos juntos na promoção de eventos'', diz.
Para a psicóloga Rosa Cardoso, não existe comportamento padrão entre pais e filhas, principalmente porque a estrutura das famílias tem se modificado constantemente. ''A mãe já não é apenas cuidadora e o pai já não é só provedor'', exemplifica a psicóloga, reforçando que para os relacionamentos funcionarem, os envolvidos precisam, quase sempre, quebrar paradigmas.
Segundo ela, pais e filhas têm culturas diferentes. Além disso, o comportamento dos pais depende da estrutura familiar em que foram criados. ''Por isso muitos pais têm de rever sua postura e quebrar tabus. Pais mais jovens têm mais facilidade. Para Rosa Maria, a troca afetiva entre pais e filhas pode ser enriquecedora: ''Existe todo um universo masculino e um feminino a ser revelado e a descoberta de novas relações é sempre sinônimo de crescimento.''

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