O mecânico Adir Ribeiro, 45 anos, disse ontem que está muito preocupado com o futuro da filha, a menina Adiele Monteiro Carvalho, 12 anos, que há quase um mês foi vítima de pisoteamento nas dependências de uma escola pública da zona norte de Londrina.
''Ela continua muito mal de saúde mesmo tomando os remédios. Está perdendo aula desde o acidente e estou com muito medo de que ela perca o ano escolar'', contou o pai. O mecânico aponta outro agravante da situação: sua filha estaria sofrendo com o descaso da diretoria da escola onde ela estuda e onde ocorreu o acidente.
Para o pai, os diretores poderiam mostrar mais atenção por uma aluna com um problema grave. Adiele está matriculada na Escola Estadual Professora Olympia Moraes Tomenta, no Conjunto Semíramis Barros Braga. ''Não recebi sequer um telefonema da escola. Eles nem quiseram saber como está a saúde dela'', reclamou. O diretor Antonio Marcos Rodrigues Gonçalves disse que procurou a mãe da menina logo depois do acidente dizendo que a escola estava a disposição da família para auxiliá-la no que for preciso. ''A questão dela é clínica e nisso nós não podemos ajudar''.
Segundo Ribeiro, Adiele tem que ficar sob permanente vigilância porque a família teme que ela sofra novas crises convulsivas. Na semana passada, a menina foi internada por três horas entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira depois de sofrer outra convulsão em sua casa.
Segundo a assessoria do Hospital Infantil, a menina passou por uma bateria de exames neurológicos e nenhum problema físico foi detectado.
Depois da segunda internação após o acidente ela foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva, onde permaneceu por 24 horas, foi liberada e no dia seguinte voltou ao hospital com quadro convulsivo, permanecendo mais cinco dias no hospital os médicos indicaram a continuidade do tratamento, ambulatorial, no posto de saúde do bairro.
A hipótese dos problemas neurológicos serem de fundo emocional estendeu o tratamento para a psicologia. Ribeiro disse que está tendo dificuldades em pagar os R$ 80,00 de cada sessão com o terapeuta. Adiele já passou por duas e amanhã está marcada uma terceira. ''Se recebesse uma ajuda financeira seria muito importante para o tratamento''.
De acordo com o chefe do Núcleo Regional de Educação, Rony dos Santos Alves, a conclusão do relatório da sindicância que apura o caso foi adiada mais uma vez. A justificativa é a mudança física que houve no Departamento de Ouvidoria do órgão. Alves prometeu para amanhã a divulgação do resultado do relatório. ''Não posso falar pela escola mas funcionários do núcleo estiveram na casa de Adiele por várias vezes depois do acidente'', defendeu-se.
O acidente com Adiele aconteceu no final da tarde do dia 16 de março depois de uma apresentação de dança na quadra de esportes. Segundo testemunhas, o empurra-empurra começou no portão, fechado depois que Adieli caiu na tentativa de conter o tumulto. Outras crianças também caíram mas não chegaram a se ferir com gravidade.

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