Pai de autônomo lamenta morte
Pai de autônomo lamenta morte
Arquivo FolhaMototaxistas durante protesto na Prefeitura de Londrina: atividade não é regulamentadaPaulo WolfgangVanda Batista: Cada um tem sua horaPaulo WolfgangStante: Ele escapava de acidentesEu sempre pedia para meu filho parar de trabalhar como mototaxista, mas ele dizia que não podia ficar sem trabalhar. A frase é do trabalhador autônomo Paulo Stante, que perdeu o filho Dejamiro André Stante, de 34 anos, em acidente entre a motocicleta com que trabalhava e um ônibus de transporte coletivo. O acidente aconteceu no cruzamento da Avenida Jorge Casoni e Rua São Salvador, às 6 horas do dia 14 de janeiro de 98.
Dejamiro e o passageiro que carregava, Aparecido de Oliveira Batista, de 22 anos, morreram na hora. O mototaxista era casado e deixou três filhos pequenos. Segundo Paulo Stante, o filho vivia escapando de acidentes. Motocicleta não dá segurança nenhuma. Num acidente, se a pessoa não morre fica toda quebrada.
Stante afirma que a família não está recebendo nenhum tipo de indenização da central para o qual Dejamiro trabalhava. O único dinheiro foi o do seguro obrigatório da moto, que a gente usou para pagar o funeral.
A irmã do passageiro que morreu no mesmo acidente, Vanda Gonçalves Batista conta que o irmão estava chegando de Santa Catarina, onde tinha ido prestar um serviço como pedreiro. Apesar de concordar com a falta de segurança das motocicletas, Vanda acha que pior seria ver todas os mototaxistas da cidade (aproximadamente 1,2 mil) desempregados.
Ela encara a morte do irmão como uma fatalidade. Cada um tem sua hora de morrer. Segundo Vanda, a central de mototaxi está pagando pensões aos dois filhos deixados pelo pedreiro. (S. L.)





