O agricultor Jair Donegal, pai de Maria Cristina Donegal, 19, morta ontem ao ser atropelada pelo estudante Rafael André Ferri Kaczor, 21, disse temer que Kaczor ‘‘acabe impune, por ser de família rica’’. Kaczor atropelou Maria Cristina e outros dois jovens às 6h30 de anteontem no acostamento da BR-369, em Cambé. Teste de bafômetro apontou que Kaczor tinha 14,4 decigramas de álcool por litro de sangue (duas vezes o máximo permitido).
Estudante de Desenho Industrial na Unopar (Universidade Norte do Paraná), Rafael André Ferri Kaczor pertence a uma família de classe média alta em Rolândia (norte do Paraná).
Ele havia saído de uma festa. Maria Cristina Donegal ia para o trabalho, no Londrina Golf Club, com Maria Cristina Duarte, 16, e Fernando Alves dos Santos, 16, que ficaram feridos.
O corpo de Maria Cristina, morta ao ser atingida frontalmente pelo Gol
dirigido por Kaczor, foi enterrado na manhã de ontem. Luiz
Armacolo, advogado contratado pela família Kaczor, entrou na Justiça de Cambé com pedido de liberdade provisória para o estudante. Preso em flagrante, Kaczor foi indiciado por homicídio doloso (dolo eventual, quando o réu assume os riscos de sua ação). Armacolo disse que o indiciamento por homicídio doloso dificultava ‘‘uma possível libertação do rapaz’’.
Segundo o advogado, a delegada de Cambé foi ‘‘precipitada’’ ao indiciar
Kaczor por homicídio doloso. ‘‘Houve precipitação, pois ela (a delegada)
não estava na mente do rapaz para saber se houve dolo’’. A delegada-adjunta Geane Aparecida do Santos disse que a opção pelo indiciamento por homicídio doloso foi ‘‘para fugir do Código de Trânsito’’. Segundo ela, pelo Código de Trânsito seria necessário arbitrar fiança ‘‘pois ele seria indiciado por dirigir embriagado’’. O homicídio doloso prevê pena de 6 a 20 anos de prisão.

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