O médico pediatra Kemel Jorge Chammas, 60 anos, disse ontem que não se conforma com a maldade feita contra a sua família. ‘‘Fiquei ainda mais chocado quando fui informado que o mentor deste horror causado a toda minha família era um colega de profissão’’, disse Chammas. Ele contou que ficou indignado com o fato de Décio Basso ter alegado uma dívida entre os dois para justificar a ação criminosa. ‘‘Nunca tive amizade, nem relação social, profissional ou sequer comercial com este sujeito’’, ressaltou o pediatra.
Chammas lembrou que o único contato foi por causa da denúncia contra Basso investigada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), órgão em que o pediatra atua como conselheiro em Maringá. Segundo o pediatra, as cenas presenciadas por ele e a família, e os momentos de angústia e dor passados desde que a filha foi levada ainda não foram absorvidos. ‘‘Tudo foi absolutamente triste, desde o momento em que vi meus filhos e minha mulher levando injeções e caindo no chão com as bocas espumando até a hora em que arrancaram minha filha de mim’’, contou emocionado o pediatra. Ele disse que os sequestradores, orientados pelo geriatra, utilizaram doses de ketamina, um tipo de anestésico, para dopar os familiares.
Conforme o pediatra, a espera pelas ligações telefônicas era algo insuportável. ‘‘Às vezes eles falavam que se eu não providenciasse o dinheiro a minha filha iria ‘pular’ (termo utilizado por bandidos que significa morte) e em outras ligações eles contavam que eu deveria me virar logo porque ela não estava se alimentando desde o dia em que foi levada de casa’’, relatou Chammas.
O pediatra disse que havia conseguido levantar até a madrugada de ontem R$ 100 mil em dinheiro. ‘‘Tudo era angustiante porque ficava imaginando como seria o momento em que os marginais iriam contar o dinheiro e devolver a minha filha com vida’’, relembrou. Chammas mora e trabalha há 32 anos em Maringá.

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