Nennhum assunto irrita mais o ex-ministro Adib Jatene do que a cobrança da CPMF. Pelo menos foi o que transpareceu em contato telefônico que ele fez com a Folha na tarde da última sexta-feira.
A reportagem havia enviado um fax com várias perguntas à assessoria do Instituto do Coração, em São Paulo, no final da semana retrasada, considerando importante a avaliação do médico, que foi a figura central no processo de aprovação da CPMF. O retorno ao contato foi dado pelo próprio médico na sexta-feira e não durou mais que poucos minutos.
Sem dar chance de a reportagem falar, ele disparou: ‘‘Não tenho nada para falar sobre a CPMF. Aliás, toda a imprensa tem um entendimento errado sobre a CPMF. Ela cumpriu seu papel e não deve ser questionada. O que deve ser questionado é o que o Governo fez. O Ministério da Saúde tinha um recurso fornecido pelo Tesouro, que era insuficiente. Como não havia outra forma de sanar a situação, propus a CPMF. Mas tão logo a Contribuição foi aprovada, o Governo retirou os outros recursos. A CPMF arrecadou o que era esperado, não gerou inflação e cumpriu seu papel, mas era uma fonte complementar e não para substituir o que já tinha. Isso não ocorreu e por isso deixei o Ministério.’’ E desligou o telefone sem permitir qualquer pergunta.

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