A sepultura 154, na quadra seis do Cemitério São Pedro, no centro de Londrina, revela a sina trágica que há treze anos acompanha a vida do comerciante Ogená Joaquim do Nascimento, 60 anos, e da esposa, Olídia, 62. Lá, sob o frio mármore, estão os três filhos do casal, todos assassinados, vítimas da violência urbana.
O caçula da família, o universitário Omar Joaquim do Nascimento, 26, morreu com três tiros numa suposta tentativa de assalto na noite do dia 10 de abril do ano passado. Desde então, a cada visita ao túmulo dos filhos, seo Ogená não esconde a angústia em não ter uma resposta para a pergunta que o atormenta há pelo menos um ano e três meses: ''porque e quem matou nosso filho (Omar)?''.
A angústia levou o casal, residente na Zona Norte, a lançar um apelo afim de sensibilizar as autoridades policiais na elucidação da morte de Omar. O rapaz foi alvejado com dois tiros de revólver calibre 38, em frente ao comércio da família, na esquina da Rua Mossoró com a Rua Paraíba (centro).
Na ocasião Omar estava com a sua caminhonete Chevrolet D20 vermelha, quando dois rapazes armados chegaram e anunciaram o assalto. Conforme os registros policiais, Omar teria tentado partir com o veículo quando recebeu dois tiros. A vítima estava acompanhado de uma namorada. ''Até agora está tudo praticamente parado e a polícia não conseguiu identificar nínguem'', reclama o pai.
Pelo menos uma vez por semana, seo Ogená vai ao 1º Distrito Policial saber como andam as investigações e volta sem respostas. A hipótese de assalto não convence muito o pai. Ele reconhece como único defeito do filho o ''gosto por mulheres''. ''Ele tinha muitas namoradas. Tivemos informações de que tudo não passou de uma vingança'', relata.
Embora acompanhando superficilmente o caso o inquérito é presidido pela delegada Valdete Testoni, que está de licença médica , o delegado do 1º Distrito Policial de Londrina, Marcos Belinati, adiantou que a hipótese de vingança chegou a ser investigada, mas não surgiram provas convincentes.
Para Belinati a hipótese mais provável é o latrocínio. ''A Delegacia Operacional chegou a deter alguns adolescentes suspeitos, mas eles não foram reconhecidos pela namorada da vítima'', conta o delegado, que garante que o inquérito continua, embora ainda sem estabelecer a autoria do assassinato.
Omar entrou para as estatísticas de crimes ainda sem autoria solucionada pela Polícia Civil de Londrina. Dos 116 assassinatos ocorridos em 2001, mais de 50%, garante o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves, já foram solucionados. ''Em mais de 90% dos homicídios a autoria do crime é reconhecida'', adianta Gonçalves. Até agora nenhum dos casos registrados no ano passado foi à julgamento, segundo o juiz da 1 Vara Criminal de Londrina, João Clève Machado. O juiz vai além e adianta que dos casos solucionados, só a metade vai à julgamento. ''Ou os autores não são localizados ou já morreram devido ao envolvimento com outros crimes'', explica.

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